A abertura de um acesso entre o bairro Adolfo Vireque e a região do Alto dos Pinheiros, realizada pela Prefeitura de Juiz de Fora, tem gerado questionamentos entre moradores e motivado posicionamentos distintos sobre a medida, adotada em caráter emergencial.
De acordo com Keliton Calheiros, presidente da Associação dos Proprietários do Alto dos Pinheiros (APAP), a Prefeitura foi responsável por abrir o acesso utilizando uma área que, segundo o Executivo, pertence ao Município. A intervenção foi apresentada como provisória, com o objetivo de atender moradores do Adolfo Vireque.
A associação informou ainda que, conforme definido junto à Prefeitura, será instalada uma cancela no local, com controle de acesso. A utilização da via será permitida apenas para veículos, como carros, ambulâncias, caminhões de lixo e micrônibus, mediante identificação, seguindo os protocolos já adotados nas demais portarias. O trânsito de pedestres e motocicletas não está autorizado.
Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que a abertura do acesso foi resultado de diálogo com moradores do bairro Adolfo Vireque e representantes do Alto dos Pinheiros.
Segundo o Executivo, houve um acordo para implantação de um acesso provisório emergencial, com registro em vídeo.
Ainda de acordo com a Prefeitura, a medida foi definida de forma conjunta como solução imediata para garantir a mobilidade da população, com previsão de controle de acesso e utilização restrita a veículos autorizados.
Do ponto de vista técnico, o Executivo afirma que o traçado adotado considera o único ponto viável para a ligação entre os bairros, já que uma alternativa anteriormente aberta não atendia aos parâmetros exigidos pelas normas de engenharia para circulação segura.
A Prefeitura também informou que atua na captação de recursos e no planejamento de uma solução definitiva, que deverá restabelecer as condições adequadas da via e garantir o acesso permanente à região.
Moradores do Alto dos Pinheiros, por outro lado, relatam preocupação com a forma como a intervenção foi executada. Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que a abertura do acesso ocorreu de forma rápida, logo após uma reunião com representantes do poder público.
Segundo o relato, houve supressão de vegetação para viabilizar a passagem, o que levantou dúvidas sobre possíveis impactos ambientais e estruturais, especialmente em relação à drenagem da área e à estabilidade do terreno. A moradora também questiona a ausência de informações detalhadas sobre a atuação de órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil no processo.
Outro ponto levantado diz respeito aos custos operacionais da nova estrutura. De acordo com a moradora, despesas relacionadas à instalação e manutenção da cancela, além da necessidade de vigilância no local, deverão ser arcadas pelos próprios residentes do Alto dos Pinheiros.
Além disso, há preocupações relacionadas à segurança e à mudança na dinâmica de circulação na região. A moradora também aponta que outras demandas urbanas da cidade consideradas relevantes não teriam recebido a mesma celeridade.
Situação do bairro Adolfo Vireque
Moradores do bairro Adolfo Vireque relatam dificuldades para entrar e sair da comunidade há mais de 20 dias. O problema começou após as fortes chuvas registradas no fim de fevereiro, que provocaram um deslizamento de terra na Rua Artesão Antônio de Oliveira, principal e até então única via de acesso à parte alta do bairro.
Desde então, a circulação de veículos, o transporte público e a chegada de serviços essenciais têm sido prejudicados. Segundo relatos, viaturas policiais, caminhões de lixo e ambulâncias enfrentam dificuldades para acessar a região.
A demanda por um segundo acesso ao bairro é antiga e já foi tema de requerimentos encaminhados à Prefeitura em diferentes anos. Após o deslizamento, a necessidade de uma rota alternativa se intensificou.