As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora no fim de fevereiro deixaram 65 mortos, milhares de desabrigados e desalojados e provocaram diversos danos estruturais na cidade. Diante desse cenário, representantes das instituições que compõem o gabinete de crise apresentaram, nesta sexta-feira (27), um balanço das ações de prevenção, resposta e reparação durante entrevista coletiva.
O encontro reuniu integrantes de órgãos municipais, estaduais e federais, além do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que destacou o papel da articulação conjunta no enfrentamento da crise. Durante a coletiva, foram apresentados dados atualizados sobre o desastre, os principais problemas identificados, medidas já adotadas e estratégias em andamento nas áreas ambiental, urbanística, social, educacional e financeira.
Um dos pontos enfatizados foi a importância da criação do gabinete de crise para dar mais agilidade às ações. Segundo o promotor de Justiça Alex Fernandes Santiago, a iniciativa tornou o trabalho mais integrado e eficiente. “A partir da recomendação para criação do gabinete de crise, as ações se tornaram mais fluidas e dinâmicas, permitindo uma resposta mais resolutiva ao desastre”, afirmou.
Apesar dos avanços, o Ministério Público demonstrou preocupação com a alta demanda por vistorias técnicas em áreas afetadas. De acordo com o promotor, há uma fila significativa de atendimentos, o que tem gerado apreensão entre moradores que aguardam liberação para retorno às suas residências ou definição sobre a situação dos imóveis. O MPMG solicitou apoio dos governos estadual e federal para o envio de mais equipes técnicas.
A promotora Samyra Ribeiro Namen destacou a atuação voltada à proteção de crianças e adolescentes, especialmente nos abrigos criados após as chuvas. Segundo ela, equipes realizaram visitas para verificar as condições desses espaços e também acompanharam o processo de retomada das aulas na rede de ensino. “Buscamos garantir não apenas o retorno das atividades, mas também a segurança das unidades escolares e a recomposição do calendário letivo”, explicou.
Já a promotora Danielle Vignoli Guzella Leite ressaltou a fiscalização dos gastos públicos relacionados ao enfrentamento da crise. O Ministério Público recomendou à Prefeitura ampla transparência na divulgação das despesas emergenciais, especialmente aquelas realizadas sem licitação, e segue acompanhando a aplicação dos recursos.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias, Francisco Angelo Silva Assis, destacou que o MPMG tem atuado como articulador entre diferentes instituições, além de buscar aprimorar suas estratégias para lidar com eventos extremos. Segundo ele, a gravidade da situação reforça o compromisso dos órgãos envolvidos em dar respostas efetivas à população.
A coletiva também contou com a presença de representantes do governo estadual, federal, forças de segurança, Defesa Civil e outros órgãos, que reforçaram a necessidade de continuidade das ações integradas para minimizar os impactos do desastre e fortalecer políticas de prevenção diante de novos eventos climáticos.