Juiz de Fora vive um avanço expressivo nos casos de Hepatite A em 2026. Já são 615 confirmações neste ano, contra 44 casos somados entre 2023 e 2025, o que representa um aumento de 1.297,7%. O crescimento acompanha a tendência nacional de alta e acende um alerta para fatores como saneamento básico, hábitos de higiene e mudanças no perfil de transmissão da doença.

De acordo com a Secretaria de Saúde, há tendência de aumento dos casos no município. Para conter o avanço, foram intensificadas ações como fiscalização sanitária, distribuição de hipoclorito de sódio para desinfecção de água e alimentos, investigação epidemiológica, monitoramento dos registros e vacinação de contatos domiciliares e sexuais, além da busca ativa por pessoas não imunizadas nos grupos elegíveis.

O infectologista Dr. Marcos Moura explica que a hepatite A está diretamente ligada à contaminação ambiental. “É uma infecção causada, basicamente, pela ingestão de água ou alimentos contaminados. O vírus é eliminado nas fezes e pode contaminar o ambiente, caracterizando a transmissão fecal-oral”, afirma.

Segundo ele, esse tipo de disseminação está fortemente associado à ausência ou precariedade do saneamento básico. “Ambientes onde há descarte inadequado de esgoto facilitam a circulação do vírus. Isso também explica surtos em rios, lagoas e locais onde há contato com água contaminada”, destaca.

O médico chama atenção ainda para mudanças no comportamento epidemiológico da doença. “Hoje, muitos casos também estão relacionados à prática de sexo anal, devido ao contato com material fecal durante a relação. Isso foge do padrão clássico e amplia as formas de transmissão”, explica. Ele ressalta que, historicamente, a hepatite A é mais comum em crianças, principalmente por hábitos como levar a mão contaminada à boca e falhas na higiene.

Uma vez no organismo, o vírus tem ação direta no fígado. “Ele atinge as células hepáticas e provoca uma inflamação que pode evoluir de forma progressiva. Na maioria dos casos, o quadro é leve, mas existem situações raras em que pode ocorrer falência hepática”, afirma o infectologista.

Entre os sintomas mais comuns estão náuseas, vômitos, falta de apetite, diarreia e mal-estar. Com a evolução, pode surgir a icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. “Isso acontece por causa do aumento da bilirrubina no sangue, e essa coloração pode persistir mesmo após a melhora do quadro”, explica.

Nos casos mais graves, embora incomuns, a doença pode comprometer a coagulação do sangue e provocar hemorragias. “Em situações extremas, pode haver hepatite fulminante, com necessidade de transplante de fígado”, alerta.

A prevenção, no entanto, é considerada simples e eficaz. “A principal forma de proteção é a vacina, disponível para crianças e grupos específicos no SUS e também na rede privada para a população em geral”, orienta o médico. Ele reforça que não há uso de medicamentos preventivos para a doença. “Não se utiliza antibiótico ou outro remédio para evitar a infecção. A prevenção é baseada em vacinação e hábitos de higiene.”

Além da imunização, especialistas reforçam que medidas básicas do dia a dia são decisivas para conter a transmissão. É fundamental lavar as mãos com água e sabão antes das refeições, após o uso do banheiro e sempre que necessário, consumir apenas água potável e garantir a correta higienização de frutas, verduras e legumes, utilizando solução com água sanitária adequada e deixando os alimentos de molho pelo tempo recomendado.

Também é importante usar gelo feito com água tratada, redobrar a limpeza de ambientes como cozinha e banheiro, evitar o compartilhamento de utensílios com pessoas suspeitas ou diagnosticadas com a doença e dar preferência a alimentos bem cozidos. Manter o cartão de vacinação atualizado, especialmente para quem faz parte dos grupos elegíveis no SUS, também é uma medida essencial.

Para o especialista, o enfrentamento da doença vai além das ações individuais. “É fundamental investir em saneamento básico e políticas públicas que eliminem focos de contaminação. Sem isso, o risco de novos surtos continua elevado”, conclui.

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