O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis falhas na distribuição de cartões humanitários em Juiz de Fora, após denúncia de que cerca de 200 famílias teriam ficado sem atendimento. A ação, realizada em parceria entre a Prefeitura e a Cruz Vermelha de Minas Gerais, era destinada a moradores em situação de vulnerabilidade social afetados pelas chuvas e deslizamentos registrados em fevereiro deste ano.

De acordo com a representação encaminhada à Ouvidoria do MPMG, famílias permaneceram por horas em filas e não conseguiram receber o benefício devido ao fechamento antecipado dos portões no local de entrega, antes do horário previsto. O caso é acompanhado pela 13ª Promotoria de Justiça.

Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que atuou apenas no fornecimento dos dados das famílias elegíveis ao programa. Segundo o Executivo, a Cruz Vermelha solicitou acesso às informações do Cadastro Único (CadÚnico), com base em critérios definidos pela própria entidade, e o município disponibilizou uma listagem com 1.500 nomes, respeitando os limites legais. A administração municipal afirmou ainda que toda a organização, logística e execução da entrega dos cartões foi de responsabilidade exclusiva da Cruz Vermelha.

Já a Cruz Vermelha Brasileira – Afiliada Minas Gerais (CVB-MG) apresentou versão diferente sobre a condução da ação. A entidade destacou que é uma associação privada, sem fins lucrativos, que atua de forma voluntária e independente do poder público, sem receber recursos governamentais para suas atividades filantrópicas.

Segundo a instituição, a ação de entrega do cartão humanitário foi realizada em mais de 15 municípios da Zona da Mata sem registro de intercorrências. Em Juiz de Fora, aproximadamente 1.300 cartões foram entregues, beneficiando mais de 3.900 pessoas. A distribuição, conforme a entidade, seguiu a lista de beneficiários encaminhada pela Prefeitura, com identificação e assinatura dos contemplados no ato da retirada.

A Cruz Vermelha afirmou ainda que, no dia da entrega, houve grande presença de pessoas que não constavam na listagem fornecida pelo município, o que teria provocado aglomeração no local. De acordo com a entidade, por questões de segurança, a distribuição precisou ser encerrada antes do horário previsto. A organização também declarou que não contou com apoio de órgãos municipais durante a ação, embora tenha havido presença da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

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Cruz Vermelha - Reprodução

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