A legislação brasileira abriu as portas do mercado de trabalho para as pessoas com deficiência (PcD), mas a distância entre ter uma vaga garantida por lei e conseguir realmente ocupá-la, permanecer e crescer profissionalmente ainda é um desafio diário nas empresas.
Para aprofundar e avançar nessa discussão, o Instituto Médico Pedagógico promove em Juiz de Fora o II Seminário do IMEPP de Inclusão e Acessibilidade da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho. O evento, dá continuidade aos diálogos iniciados na edição anterior, ocorre de forma nos dias 17 e 18 de setembro no Victory Business Hotel, localizado na Av. Pres. Itamar Franco, 1850, no bairro São Mateus.
Sob o tema central "Da Lei à Inclusão Real: por que ainda não conseguimos incluir?", o encontro articula painéis temáticos, mesas de debates e depoimentos voltados a promover a troca de experiências práticas.
Do recrutamento ao pós contratação
Durante os painéis, especialistas e lideranças convergem em um ponto crucial: os maiores obstáculos corporativos não se resumem à falta de infraestrutura física. Embora rampas, banheiros adaptados e portas largas sejam essenciais, as barreiras mais difíceis de derrubar são atitudinais.
Para Luiz Fernando Freesz, presidente do IMEPP, o grande desafio das organizações começa justamente depois da assinatura da carteira de trabalho. "Muitas empresas contratam, mas ainda têm dificuldade para escolher, adaptar o ambiente de trabalho, preparar a equipe, estabelecer uma comunicação efetiva e oferecer condições para que aquele profissional permaneça e se desenvolva. A inclusão não acaba na assinatura do contrato; ela começa na contratação e se confirma na permanência, na participação e na evolução do profissional dentro da empresa", pontua Freesz.
O presidente do IMEPP destaca que o preconceito e o capacitismo, muitas vezes invisíveis no cotidiano corporativo, inclui desde a baixa expectativa sobre a capacidade produtiva do colaborador até o chamado "capacitismo reverso", manifestado na ideia condescendente de que a pessoa com deficiência não pode ser cobrada ou estimulada a crescer.
Soma-se a isso a visão distorcida de que o profissional está na empresa unicamente para cumprir cota legal. Superando a lógica do "Banco de Currículos". Para mudar essa lógica e transformar a obrigação legal em uma vivência corporativa genuinamente inclusiva, iniciativas práticas vêm ganhando destaque no seminário, como a tecnologia de inclusão.
União Solidária
Diferente de plataformas tradicionais que funcionam apenas como um repositório passivo de currículos, a proposta da União Solidária atua de ponta a ponta no processo. O sistema identifica o perfil necessário para a vaga, prepara o candidato e auxilia a empresa a superar barreiras e preconceitos.
"A lei de cotas abriu a porta. Agora nós precisamos, através de tecnologias de inclusão como a União Solidária, garantir que a pessoa com deficiência consiga entrar, permanecer, crescer e ser reconhecida dentro da empresa. O objetivo não é preencher cota, mas fazer com que a organização cumpra a lei construindo uma cultura verdadeiramente inclusiva", reforça Luiz Fernando Freesz.
Debate ampliado
Comprometido com a acessibilidade plena, o evento oferece recursos como tradução em Libras, rampas de acesso e materiais adaptados em braile, impressos ampliados e mídias digitais acessíveis, além de contar com inscrições gratuitas na plataforma Sympla e transmissão ao vivo.
A programação reúne representantes de órgãos públicos, OAB e setor produtivo para debater fiscalizações e responsabilidades compartilhadas, reforçando que a verdadeira inclusão transforma a contratação em um investimento em potencial, diversidade e cidadania plena.
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