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    Juliana Machado Juliana Machado 28/11/2013

    A maldição da sacolinha plástica

    sacolasNa coluna anterior, refletimos um pouco sobre os impactos das ações humanas nos oceanos e, em um determinado momento do texto, amaldiçoei as famosas sacolinhas plásticas tão comuns no nosso dia a dia. Algumas pessoas vieram me perguntar o porquê de tanto ódio no coração direcionado a tão ingênuo objeto e, portanto, hoje vou explicar porque elas não têm nada de ingênuas e porque elas me causam tanta agonia.

    Imagine a seguinte cena: Você está caminhando feliz pelo calçadão de Juiz de Fora e resolve entrar em uma farmácia. Você é uma mulher que carrega consigo uma bolsa gigante, acessório muito comum nos guarda-roupas femininos. Já na farmácia, você resolve levar um desodorante. Quando vai pagar sua compra a atendente deposita o item adquirido em uma sacola plástica e você sai pelo Centro da cidade carregando no ombro sua bolsa gigante e nas mãos, uma enorme sacola plástica contendo um minúsculo objeto dentro. Pergunta: Por que você não lançou o referido item direto na sua enorme bolsa? "Porque eu não quis." Sim, caro internauta. Pode ser uma resposta. Mas você verá que recusar gentilmente a sacolinha seria uma atitude bem mais inteligente.

    A sacola plástica é um item feito de polietileno, um componente do petróleo, que é um recurso não renovável. A degradação deste produto na natureza pode demorar cerca de 500 anos e as reações químicas envolvidas na sua decomposição liberam gás carbônico e outros componentes diretamente atuantes naquela história de aquecimento global – aquecimento este que estamos sentindo bem nos últimos tempos... Além disso, o processo de fabricação das sacolas consome energia, água e libera gases poluentes. Igualmente, quando são incineradas, as sacolas liberam as mesmas toxinas que são perigosas para nossa saúde.

    No ambiente urbano, as sacolas entopem bueiros, poluem córregos e ajudam na retenção de lixo nas grandes cidades, fator decisivo para o agravamento das inundações em períodos chuvosos. Também nas cidades, sacolas plásticas são responsáveis por acumular água parada - por incrível que pareça - contribuindo para a proliferação do versátil mosquito da dengue. Quando atingem os mares, seja porque foram ali diretamente lançadas ou porque foram jogadas em rios que ali deságuam, as sacolas poluem gravemente este ecossistema. Animais marinhos como peixes, tartarugas e golfinhos confundem a sacola com alimento e o consomem. Isto causa, na grande maioria das vezes, a obstrução do sistema digestivo, o sufocamento e morte destes animais. Segundo a Ong alemã Nabu, os componentes tóxicos presentes nas sacolas consumidas por estes animais, se mantêm na cadeia alimentar, contaminado-a por completo.

    Dados da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis, apontam que no Brasil consome-se mensalmente 1 bilhão de sacolas plásticas mensalmente, sendo que 90% disso vai para no lixo não reciclável. No mundo 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas anualmente, embora muitos países já adotem a proibição no fornecimento gratuito das sacolas em estabelecimentos comerciais. Se você quiser mesmo uma sacolinha plástica, vai ter que pagar. Outros estabelecimentos fornecem gratuitamente aos seus consumidores, sacolas feitas de materiais oxibiodegradáveis, hidrossolúveis e biodegradáveis, que se dissolvem na natureza de três a 36 meses. O uso de sacolas de papel e papelão também é comum nestes países, bem como o oferecimento de sacolas retornáveis.

    sacolaNão sei se cobrar pelo uso das sacolas é uma boa ideia, já que parece fomentar muito mais o lucro dos estabelecimentos do que uma atitude ambientalmente correta. O pagamento de taxas para a aquisição de sacolinhas ou a compra de uma sacola ecológica, pode soar como mais uma forma de onerar o consumidor. Por outro lado, principalmente no nosso país, é fato que não nos importaremos muito com várias demandas ecológicas se elas não pesarem no nosso bolso. Não nos importamos com a poluição dos rios, com a morte das tartarugas e nem mesmo com a nossa saúde. Quando acontecem as enchentes, culpamos os governos. Portanto, uma mudança de atitude baseada exclusivamente na ética poderia ser lenta demais para os problemas urgentes que enfrentamos... Também é fato que os países que adotaram esta medida de cobranças pelo uso das sacolas, estão se saindo bem melhor que nós no que se refere às questões ambientais. Cabe refletir...

    A questão que se impõe, no fim das contas, é sobre o consumismo desmedido na nossa sociedade. Talvez um programa de consumo responsável em diferentes ambientes sociais possa ser ainda mais efetivo do que uma cobrança de taxas... Algo que inclua repensar o modo como nos relacionamos com o meio ambiente urbano e com a natureza, repensar nossas necessidades de compra, nossos hábitos e nossa preguiça em mudá-los. Por enquanto, eu sugiro que você faça a sua parte: Da próxima vez que você for comprar alguma coisa, avalie bem e verifique se há mesmo a necessidade de mais uma sacolinha plástica para a sua coleção. Recuse-a e seja inteligente, de fato.


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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