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    Onça-pintada será retirada do Jardim Botânico de Juiz de Fora

    Da redação
    2/05/2019

    Durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, 2 de maio, a comissão interinstitucional do caso da onça-pintada, no Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) anunciou a decisão de capturar e translocar o animal para área adequada à existência do felino. Estavam presentes na reunião, 11 dos representantes de sete instituições que compõem o comitê.

    “Para que esta história tenha um desfecho muito positivo, ainda hoje, equipe do Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) saiu às 10h, de Atibaia (SP), com equipamentos necessários para iniciar o processo de captura. Isso para que o animal possa ser translocado para uma área florestal ampla, onde possa ficar livre, seguro e monitorado com colar. Ele terá acompanhamento técnico para continuar vivendo. Não é em cativeiro”, explicou a pró-reitora de Extensão da UFJF, Ana Lívia Coimbra, acrescentando que, embora a universidade saiba que o animal percorre outras áreas da Mata e foi avistado em frente a hotel, na Avenida Brasil, a instituição está subsidiando os custos financeiros da vinda da equipe técnica, que já esteve em Juiz de Fora, com um analista, de 26 a 29 de abril.

    O biólogo e o veterinário do Cenap/ICMBio – órgão federal, referência em onças – chegam à cidade para reforçar a equipe de pesquisadores da UFJF, que já estão monitorando o animal desde a última sexta, 26. Ele foi filmado na noite de quinta, 25, no Jardim.

    “Temos uma compreensão mais consistente sobre o comportamento e as rotas do animal. Com toda a variação da biologia, há certos padrões verificados. Essas informações dão segurança o suficiente para o planejamento de captura e translocação”, explica o professor Artur Andriolo, do Departamento de Zoologia da UFJF.

    Vídeo em hotel

    É verídico o vídeo divulgado na última quarta, 1º, em que o animal é visto circulando, em frente a um hotel na Avenida Brasil, ao lado da Rodoviária, às 2h30 do dia 26 de abril. O registro foi realizado por meio de câmeras de vigilância do estabelecimento. Para ter acesso à área, o felino teve de cruzar o rio Paraibuna e a avenida, correndo risco de atropelamento e de incidentes.

    Em caso de o animal ser avistado e em situações de emergência, moradores podem acionar a Companhia pelos telefones 190 e 3228-9050 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. “Pedimos à população que evite caminhada e outras atividades na beira do rio, entre 17h e 6h”, recomendou o gestor da Área de Proteção Ambiental da Mata do Krambeck, Arthur Valente, representante do Instituto Estadual de Floresta, que está a postos com equipamentos de captura. “A Prefeitura de Juiz de Fora também está com sua estrutura à disposição para o êxito das atividades”, disse o secretário de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano, Luís Cláudio Santos Pinto.

    O felino foi avistado, nas imediações do Jardim e da Área de Proteção, nos dias seguintes ao vídeo. Na noite desta quarta, o animal também foi fotografado pelos pesquisadores e por militares de Meio Ambiente.

    Sobrevivência e riscos

    Não é esperada a circulação de onças-pintadas em áreas urbanas e com alta presença de pessoas. “Ainda que machos da espécie tenham a tendência de ser mais audazes, o comportamento específico deste indivíduo tem sido além do esperado”, explica o professor Artur Andriolo, do Departamento de Zoologia da UFJF, que integra a equipe de monitoramento por 24 horas diárias do animal. “Ele tem tido movimentação mais ampla do que na área estritamente de mata”, completa.

    Há alta movimentação de pessoas, onde ele foi avistado, além do Jardim Botânico, como é a entrada do hotel. Na própria região do Jardim, há casas, lojas e bar, que tenderiam a afastá-lo com os ruídos. É ainda inusitada a circulação do animal mesmo quando ainda há várias atividades humanas, concentração de pessoas, veículos e culto religioso. No último registro, ele foi visto às 20h.

    De acordo com o Cenap/ICMBio – referência federal em onças -, a espécie tem hábito solitário e territorialista. São necessários entre 50km² a 100 km² para a sobrevivência de apenas um indivíduo. A área do Jardim não chega a 1 km². É de exatamente 0,827 km². Somadas as áreas da Mata do Krambeck e da Mata da Remonta, que formam os maiores fragmentos florestais de Juiz de Fora, o total alcança 5,12 km². A soma corresponde a somente 11% do mínimo necessário para a sobrevivência do animal com segurança e oferta regular de presas. Do mesmo modo, a opção por um cativeiro é descartada.

    É perceptível em integrantes da comissão e de pesquisadores o contentamento com a aparição de uma onça-pintada, em Juiz de Fora, onde não se tem registro oficial da espécie há pelo menos 80 anos, como também o acolhimento positivo da população. “A presença da onça é um indicativo da qualidade ambiental da área, mas ela não é suficiente para o animal. Por isso, o Jardim concorda que há riscos para o animal e para população e endossa as medidas que estão sendo tomadas”, disse o diretor em exercício do Jardim Botânico, Breno Moreira. Consequentemente a mudança contribui para a reprodução da espécie, pois o felino será levado para região com presença de outros indivíduos. Restam apenas 280 exemplares, na Mata Atlântica, que cobre parte do país da região Sul à Nordeste.

    Atuam na comissão representantes da UFJF, por meio da Pró-reitoria de Extensão, do Jardim Botânico, do Departamento de Zoologia, do Colégio de Aplicação João XXIII e da Diretoria de Imagem Institucional; da Prefeitura de Juiz de Fora, com a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano e a Secretaria de Comunicação Social; do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); do Instituto Estadual de Florestas (IEF); da Polícia Militar de Meio Ambiente; do Corpo de Bombeiros e do Campo de Instrução do Exército em Juiz de Fora.


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