SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O casamento de José Celso Martinez Corrêa, 86, e Marcelo Drummond, 60, tem mais uma atração confirmada: a escola da samba Vai-Vai. A agremiação se apresentará ao final da cerimônia, que será realizada na terça (6), no Teatro Oficina, na região central de São Paulo.

A expectativa é que Zé Celso cante com a Vai-Vai a música "Quatro Séculos de Paixão -- História do Teatro Brasileiro", samba-enredo apresentado pela Unidos de Vila Isabel, no Carnaval do Rio de 1975, e que se tornou um hino informal do Oficina ao longo dos anos.

As cantoras Marina Lima e Daniela Mercury também se apresentarão durante a celebração, que é definida pelos organizados como um "culto ecumênico-artístico".

O cardápio da festa e será eclético, mas com raízes brasileiras. No coquetel de entrada, será servida maniçoba, um ensopado de carne de porco com folha de mandioca, que precisa ser cozida por dias para deixar de ser tóxica. O quitute será feito pela organização Pão do Povo da Vida, que será responsável também por sonhos que serão distribuídos no fim da celebração.

A cerimônia também terá coquetel da Banqueting, da chef Martha Bender. Ceviche, guacamole com especiarias, creme de fubá e massa fregola sarda com pinhão serão as iguarias servidas. De sobremesa, os convidados poderão degustar de goiabada cascão de colher com mousse de mascarpone e cocada morna.

Marcelo e Zé Celso se conheceram no Teatro Oficina, em 1986. Um mês depois estavam dividindo apartamento, e assim continuam até hoje, numa relação de amor e companheirismo, em que o sexo está longe de ser uma das prioridades.

"Estamos casados pela vida que vivemos, compartilhamos tudo. Moramos juntos, mas não transamos há mais de 20 anos, cada um tem seus amantes", disse Drummond à coluna, deixando transparecer que a postura libertária e dionisíaca do companheiro --e dele também-- não se restringe ao discurso e às suas produções teatrais.

A decisão de oficializar a união veio por questões práticas. Personagem fundamental na história do teatro brasileiro e um dos fundadores do Oficina, Zé Celso não tem herdeiros diretos e preocupa-se com a burocracia que seu companheiro irá enfrentar depois de sua morte.

com BIANKA VIEIRA, KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH