Paulo César Paulo César 12/9/2011

Cowboys & Aliens: cavalos, naves espaciais e clichês 

A primeira vista o espectador pode estranhar a premissa de Cowboys & Aliens, novo filme produzido por Ron Howard e Steven Spielberg e dirigido por Jon Fraveau (Homem de Ferro 1 e 2). E não era para menos. Pensar em uma invasão alienígena em pleno velho oeste é uma ideia difícil de conceber, principalmente para aqueles que não conhecem a história em quadrinhos em que foi inspirada. É uma aposta ousada que pode ser um grande sucesso ou ser mais um equívoco milionário de ficção a cair no esquecimento.

A história começa com Jake Lonegan (Daniel Craig) perdido no meio da sequidão do oeste, sem nenhuma memória e com um estranho artefato anexado ao braço. Quando chega a uma cidadezinha, conhece Ella (Olivia Wilde), uma linda moça com comportamento estranho. Lá confronta seu algoz, o Coronel Dolarhyde (Harrison Ford), de quem tinha roubado ouro. Depois que objetos voadores aparecem e capturam muitas pessoas do lugarejo, Jake e Dolarhyde formam uma comitiva para enfrentar os estranhos inimigos.

O roteiro, adaptado dos quadrinhos de Scott Mitchell Rosenberg por Mark Fergus e Hawk Ostby juntamente com Steve Oedekerk, mostra-se ousado e interessante, mas também absurdo. Isso pode fazer com que o filme tenha o mesmo destino de As Loucas Aventuras de James West (1999), onde cowboys que passeavam em robôs gigantes e usavam armas a laser não tiveram uma boa recepção do público. Entretanto, o absurdo nesse caso, não é o único problema.

O longa até começa muito bem com as belas paisagens do árido, lembrando os bons tempos do western de Howard Hawks e John Ford, mas logo este clima desaparece no agressivo efeito visual das sequências alienígenas. O diretor parece ter sentido falta das grandes explosões, tanto que não tarda a deixar de lado a técnica bem empregada nas cenas do puro faroeste, e voltar aos elementos do cinemão hollywoodiano repleto de clichês (com grandes referências a Guerra dos Mundos, de Spielberg). Nem mesmo a trilha sonora, que mescla o clássico e o moderno, deixa o filme mais interessante.

O time de atores de segundo e terceiro pelotão americano, liderados por Harrison Ford e Daniel Craig, estão desconfortáveis frente às câmeras. A bela Olivia Wilde não consegue mostrar o mesmo talento que a fez famosa no seriado House, tanto que fica clara sua falta de química com Craig. O lado sentimental de Dolarhyde morre na interpretação de Ford. As melhores sequências ficam por conta do jovem Paul Dano, como o mimado filho do Coronel, e do talentoso Sam Rockwell, um covarde dono de saloon, que proporcionam um sensível ar cômico ao filme.

Se a intenção dos produtores é criar um novo gênero, não será desta vez que conseguirão. Toda essa experiência audiovisual pode até divertir, porém deixa muito a desejar no acender das luzes. Fica para o cinema a certeza de que um bom filme não se constrói pelos milhões que são investidos nele, e sim por um simples trabalho de dar ao público boas histórias contadas por imagens. Sejam elas absurdas ou não.



Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema. Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg. 

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