Paulo César Paulo César 23/3/2013

Muita diversão com personagens pré-históricos em Os Croods

O gênero da animação tem proporcionado ao cinema contar histórias incríveis, fantasiosas, divertidas e emocionantes para transmitir ideais que são muito úteis para nosso dia a dia. Seja o público adulto ou infanto-juvenil, não há quem não se cative perante a figuras encantadoras, que servem como subterfúgio para que um assunto delicado não se torne duro demais para que os pequenos absorvam. Em Os Croods, o espectador viaja até a pré-história para acompanhar uma família das cavernas, que tem de lidar com as mudanças que o mundo lhes impõe.

Grug (Nicolas Cage) é o patriarca que está sempre impondo regras para manter a segurança de sua família. Mas quando a adolescente Eep (Emma Stone) começa a sentir vontade de conhecer coisas novas, tudo sai dos conformes. Ela cruza o caminho de Guy (Ryan Reynolds), um jovem mais moderno, que lhes apresentam ao fogo e muitos outros artigos de vestuário, além de os alertarem para grandes mudanças que o planeta já começou apresentar. Mesmo contrariado, Grug concorda em acompanhar o jovem em busca da "Terra do Amanhã", juntamente com a Vovó (Cloris Leachman), o ingênuo Thunk (Clark Duke), de sua esposa Ugga (Catherine Keener) e da pequenina selvagem Sandy (Randy Thom).

Depois de fazer obras baseadas em personagens fantásticos, a DreamWorks volta seus olhares para os seres humanos, mais precisamente para os primeiros anos de nossa existência. E aproveita tudo o que este estágio evolutivo poderia oferecer: a descoberta do fogo, a firmação de alguns hábitos que perduram até hoje e os mais variados animais bizarros que, provavelmente ou não, habitavam a Terra naquela época. Cria um turbilhão de ações e reações que, quase sem esforço algum, leva o público ao delírio cômico. O contraste causado pela figura de Guy, de comportamento mais refinado, ou menos truculento, é a principal fonte do humor do longa.

Entretanto, o que faz do filme de Chris Sanders e Kirk DeMicco diferentes de outras animações do estúdio que apelam ao frenesi escalafobético é a forma como encontraram espaço entre os esquetes hilariantes para passar algo mais profundo. Usando de toda a cancha que conseguiu na época em que trabalhava nos estúdios Disney, Sanders, que por lá foi responsável por Mulan (98) e Lilo e Stitch (02), entre outros, impõe ao público a reflexão sobre as mudanças que durante toda a vida devemos enfrentar, e que não existe felicidade sem a descoberta de experiências novas. Ainda assim não traça um determinismo, o que é certo e errado, a linha tênue entre as escolhas é o que será, inevitavelmente, alcançado como o caminho certo a seguir.

O visual inebriante do filme é uma mostra que o estúdio é o grande adversário da poderosa Disney/Pixar no gênero. O que diferencia as duas empresas é o refinado roteiro da Disney, porém a adversária, começa a mostrar que pode sim criar obras que ofereçam muito mais que qualidade técnica e humor.

Os Croods pode até não ser o melhor filme de animação dos últimos tempos, mas com certeza é o mais divertido desde Shrek 2. Além do mais, faz uma poderosa mistura de entretenimento de primeira classe com as lições de engrandecimento que sempre se espera de bons longas do gênero. Tomara que marque o início de novos tempos para as animações, que anda precisando de uma sacudida, e que todos os estúdios, assim como os fofíssimos personagens desta história, não tenham medo de evoluir.


Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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