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    Victor Bitarello Victor Bitarello 27/11/2014

    Uma metáfora da vida real em "Jogos vorazes – a esperança – parte 1"

    jogosExiste um problema no Brasil no que diz respeito a nomear os filmes estrangeiros. Talvez por uma estratégia de marketing, ou na intenção de facilitar a compreensão sobre o que se trata a história, o fato é que algumas alterações mudam de tal forma o título que acabam enganando o público. No caso de "Jogos vorazes", a alteração foi quase um desrespeito. Em seu original, o filme se chama "The Hunger Games: Mockingjay - Part 1". "Hunger games" significa algo como "Jogos famintos" (Ok!), e "Mockingjay" é a palavra inglesa para "tordo", um pássaro conhecido principalmente pela musicalidade. Considerando que o nome "Jogos vorazes" já se tornou muito consagrado, sua alteração não teria mais cabimento. No entanto, a colocação da tradução literal, ou seja, "Jogos vorazes: o tordo – parte 1", teria sido muito mais interessante, principalmente para os fãs da série (como eu), que tem compreensão da importância deste símbolo no contexto da história.

    O filme é a primeira parte do último livro da trilogia de Suzanne Collins. A segunda parte estreia em 2015. A história, como um todo, faz alusão à crueldade do mundo capitalista, no qual os representantes do poder econômico não medem esforços para manter-se na posição dominante, abusando da maioria trabalhadora, subjugando-a e mantendo-a numa situação de medo do que são capazes de fazer contra ela caso se rebelem, haja vista que a classe rica é detentora do poder político e comanda as forças policiais. Mas não aponta somente o mundo capitalista em si, mas a capacidade humana de usar seu semelhante a seu favor, independente do bem estar do outro. No caso do filme, há "Panam", um mundo onde há uma nítida maioria pobre sustentando os luxos de uma minoria rica, sendo criada uma "diversão" coletiva para a classe rica, no intuito de punir essa maioria pobre pela tentativa passada de rebelar-se contra tal estado de dominação. Nessa diversão, denominada de "Jogos vorazes", dois adolescentes entre 12 e 17 anos dentre 12 distritos, são escolhidos em "colheitas" para serem os "tributos" a serem oferecidos nos jogos, nos quais somente um sobreviveria. No terceiro filme, pode-se perceber outro aspecto crítico dentre as realidades já vividas no mundo real, as ditaduras comunistas. Revoltados com os abusos da classe rica, um 13º distrito ajuda a personagem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) a se salvar de sua segunda participação nos Jogos, querendo que ela seja o "Tordo", ou seja, o símbolo da luta pela liberdade dos distritos e pelo fim da vida de luxos da capital. Ao longo do filme, percebe-se que no distrito também não se verifica a liberdade tão propagada, vez que a vida de seus habitantes é extremamente controlada, não havendo escolha para nada. Tudo é determinado pela liderança que, na prática, é uma liderança ditadora. Fica então a dúvida sobre o quanto é difícil saber qual sistema é melhor, vez que todos os sistemas já vividos por nós, homens, apresentam-se cruéis.

    Os atores estão todos muito bem no filme, à exceção do mocinho Gale (Liam Hemsworth), que é um ator muito sem sal, que conseguiu ficar à sombra do segundo mocinho, Peeta (Josh Hutcherson), que rouba completamente a cena de Gale. Foi ótimo ver Philip Seymor Hoffman, o personagem Plutarch, no filme. Philip, Oscar de melhor ator por "Capote", falecido em 02 de fevereiro deste ano, já havia gravado as cenas desta primeira parte, bem como algumas da segunda. Assim, haverá uma adaptação de sua participação no último filme, sem haver uma substituição do ator. "Jogos vorazes" conta com um excelente time de atores, quanto a isso não há nenhuma dúvida. Elizabeth Banks está fantástica em todos os filmes no papel da colorida e deslumbrada "Effie". Woody Harrelson, como sempre, está muito bem, na série ele vive o beberrão e revoltado Haymitch Abernathy. E, sem deixar de dizer, tem Jennifer Lawrence, Oscar de melhor atriz por "Silver linnings playbook", no Brasil chamado de "O lado bom da vida", que conquista cada dia mais a todos, porque além de linda e talentosa, tem uma simplicidade e timidez que a tornam fofa, agradável. Sou suspeito!

    Um probleminha que se pode notar neste terceiro filme é que ele não tem a emoção dos outros dois. Como os outros são do tipo que faz você ficar dolorido de tanta tensão, este acabou sendo um pouco morno. A sensação de história pela metade ficou muito forte, então a graça de assisti-lo se perdeu bastante. Para um fã da série basta, provavelmente, pelo fato de curtir aquele momento. Mas para alguém que está conhecendo, deve ter se sentido desconfortável.


    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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