Segunda-feira, 23 de novembro de 2020, atualizada às 8h34

Semana da Consciência Negra aborda produções nas artes, ciências e cultura 

Da redação

Começa nesta segunda, 23 de novembro, a 3ª Semana da Consciência Negra da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O evento, que se estende até sexta, 27, conta com palestras e mesas de debates, transmitidas pelo canal do evento no YouTube, e minicursos e oficinas, realizados via Google Meet.

As inscrições podem ser feitas gratuitamente, no formulário, até às 16h30 desta segunda. A Semana é realizada em parceria entre o programa de extensão “Encontros Temáticos da Comunidade Negra” e a Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf).

Todas as oficinas, palestras e minicursos serão realizados em horários ou em dias diferentes, permitindo que os interessados participem de quantas atividades quiserem.

Confira a programação completa.

“Será um momento de efetiva conscientização sobre as produções relevantes de diversos atores negros e negras na arte, nas ciências, na cultura e em vários setores da sociedade. Buscamos não somente combater o racismo, mas desenvolver mais e mais uma consciência antirascista em nossa sociedade”, pontua Willian José da Cruz, coordenador do programa Encontros Temáticos da Comunidade Negra.

Já segundo o diretor de Ações Afirmativas da UFJF, Julvan Moreira de Oliveira, o evento não visa apenas ressaltar as condições desumanas que os negros vivem no Brasil devido ao racismo estrutural e à herança da escravização, mas destacar as tradições culturais africanas e afro-brasileiras. “A Semana da Consciência Negra é uma das conquistas do Movimento Negro, colocando em evidência as produções materiais e intelectuais, através das artes, da filosofia africana, da etnociência (matemática, física, química) e da história das civilizações africanas”.

Consciência Negra

Oliveira explica que o termo “consciência negra” foi criado por Steve Biko, um jovem negro sul-africano, estudante de medicina que, no início da década de 1970, se tornou um ativista contra o Apartheid. Por sua atividade, Biko não chegou a concluir o curso de medicina, criando, em 1972, o “Black People’s Convention” cuja bandeira era promover a consciência negra. “Consciência Negra é compreendida como a atitude de união de todos negros em volta da causa que está por detrás de sua condição de oprimidos. É o orgulho dos negros de sua cultura, de seu pensamento, de sua arte, de sua religião e de sua ancestralidade. Nesse sentido, a Semana da Consciência Negra ressalta o quanto devemos lutar para sermos antirracistas em uma sociedade extremamente racista”, ressalta.

“A violência policial e epistemica, a branquitude alheia às questões racias por achar, erroneamente, que não faz parte da discussão, a falta de acesso a serviços de saúde e educação de qualidade, o genocídio e o encarceramento em massa da população negra, com destaque para os jovens, são tristes realidades que se repetem ano a ano no Brasil. É necessário reconhecer, se indignar e se mobilizar com ações que alterem significativamente a sociedade racista, violenta e excludente em que vivemos. Neste sentido, a universidade possui um importante papel. Não podemos nos eximir deste trabalho”, pontua Francione Carvalho, professor da Faculdade de Educação (Faced) da UFJF.

O evento tem carga horária total de 20 horas. De acordo com a organização, oficinas, palestras e ciclo de debates podem ter duração máxima de 2 horas. Já os minicursos variam de quatro a seis horas. Os participantes têm direito a certificado.

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