O Carnaval segue como um dos períodos mais estratégicos do ano para quem busca reforçar a renda no Brasil. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a festa deve movimentar R$18,6 bilhões em fevereiro de 2026, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O dado reforça o impacto econômico do Carnaval, que vai além do entretenimento e impulsiona oportunidades de trabalho e novos negócios.

Segundo o professor do curso de Administração da Estácio, César Barreto, o Carnaval muda a lógica de consumo nas cidades. “As pessoas passam mais tempo fora de casa, consomem com menos planejamento e tomam decisões rápidas. Isso faz o dinheiro girar rápido e cria oportunidades raras para quem está preparado. No Carnaval, estar no lugar certo, com a oferta certa, na hora certa, faz toda a diferença”, afirma.

Esse movimento já é percebido por quem atua diretamente no comércio e na prestação de serviços. A maquiadora Chrislayne Morais relata que, nesse período, a demanda cresce de forma significativa. “O movimento aumenta bastante. As pessoas querem se produzir mais. A maquiagem vira praticamente um item essencial para a folia”, conta.

De acordo com ela, os produtos mais procurados acompanham o clima da festa. “Glitter, iluminadores, sombras coloridas, delineadores e pigmentos têm uma grande procura nessa época. Também cresce muito a busca por produtos de longa duração, como bases resistentes e fixadores, porque ninguém quer se preocupar com a maquiagem derretendo no meio da folia”, explica.

Do ponto de vista da gestão, César Barreto reforça que o planejamento financeiro é decisivo para transformar o aumento da demanda em lucro. “Não precisa ser algo complicado. É saber quanto pode gastar, quanto precisa vender por dia e quanto quer ganhar no final. Quem planeja consegue tomar decisões rápidas e seguras, o Carnaval não perdoa improviso mal feito”, destaca.

Essa organização também faz parte da rotina de Chrislayne antes do início da festa. “Eu listo os materiais que estão em alta no período, faço o estoque com antecedência e organizo minha agenda com dias e horários definidos. Assim consigo me planejar melhor e atender todas as clientes com qualidade”, relata.

Além do retorno imediato, o Carnaval pode funcionar como uma vitrine para novos negócios. A maquiadora afirma que muitos atendimentos feitos durante a festa se transformam em clientes fixos. “Muitas pessoas acabam voltando em outras épocas do ano, tanto para comprar maquiagem quanto para contratar meu trabalho. Isso cria credibilidade e fortalece minha renda ao longo do tempo”, diz.

Para César, esse é o momento em que a renda extra pode evoluir para algo maior. “O Carnaval pode ser um laboratório prático. Quem observa o que vende mais e entende o comportamento do cliente pode transformar uma renda temporária em um negócio fixo”, avalia.

Para quem ainda não sabe por onde começar, o professor deixa uma orientação direta. “A melhor dica é observar a rua. Onde as pessoas param, do que reclamam, o que falta. Normalmente, a melhor ideia não é a mais criativa, é a mais óbvia bem executada. Carnaval muda a vida de quem executa com a cabeça e os pés no chão”, conclui.

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Agência Brasil - Carnaval

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