O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse nesta sexta-feira, 17 que o Brasil vive uma situação econômica muito estável, mas citou a taxa de juros como exceção. Ele integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Europa.

"Há indicadores econômicos muito favoráveis no Brasil de hoje. Nós estamos vivendo lá uma situação econômica muito estável e social também muito estável. Indicadores de pleno emprego, contenção da inflação, câmbio na medida certa. Com exceção da taxa de juros, o Brasil vem conseguindo também oferecer ao setor empresarial um ambiente de negócios capaz de realizar investimento com muita segurança", disse Elias a jornalistas após participar de fórum empresarial Brasil-Espanha.

"O Brasil tem hoje segurança jurídica, previsibilidade econômica e também estabilidade política. Isso vem sendo garantido graças a uma dessas medidas que o governo do presidente Lula vem realizando", prosseguiu.

Mercosul-UE

O ministro lembrou que os países estão às vésperas da entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), em 1º de maio. "Vamos lembrar que o governo espanhol nos auxiliou muito na aprovação aqui na Comunidade Europeia do acordo que foi celebrado com o Mercosul", destacou.

"Nós estamos falando de um acordo moderno, com capítulo interessante sobre sustentabilidade ambiental, regras de origem, defesa comercial, propriedade intelectual, e programas de desgravação que vão alcançar cerca de 95% dos bens que o Brasil exporta para a União Europeia. E cerca de 85% dos bens que são adquiridos lá no Brasil ou no Mercosul. A partir de 1º de maio, nós teremos a desgravação imediata de pelo menos 540 bens que são reciprocamente importados e exportados. E iniciam os cronogramas de desgravação", prosseguiu.

Ele defendeu diálogo entre o setor privado e o setor público e lembrou que alguns produtos, como milho, etanol, arroz e proteína animal suína ou de aves, começam já a ter cotas e intracotas, a alíquota é zero. "Nós precisamos estar com o setor privado todo devidamente informado para que esse comércio se expanda".

Segundo o ministro, a expectativa é que, no fim deste ano, a corrente de comércio Brasil-Espanha seja superior àquela do ano passado, de pouco mais de US$ 12 bilhões. "O Brasil e a Espanha já conseguiram ter uma corrente de comércio de US$ 14 bilhões de dólares no passado", recordou.

Também presente na agenda, o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, ressaltou que a relação comercial com a Espanha é favorável ao Brasil. "A economia espanhola é a 12ª economia do mundo, é a quinta da Europa. Na relação com o Brasil, no comércio com o Brasil, a Espanha é o nosso quinto destino das exportações e é o nosso 13º país que nós mais compramos".

Mercadante pontuou, porém, que a qualidade do comércio é favorável à Espanha. "Eles exportam muito mais valor agregado, são produtos químicos, produtos farmacêuticos, veterinários, óleo combustível. E nós exportamos mais commodities, óleo bruto, soja, farelo de soja. Então, há um equilíbrio. Nós temos um ganho comercial e eles têm mais qualidade naquilo que nós comercializamos".

O presidente do BNDES ainda afirmou que quase todas as empresas espanholas presentes no Brasil são clientes do banco público já há algum tempo. "E nós estamos saindo com muitas perspectivas de novos financiamentos para o crescimento econômico, para a geração de emprego e para avançar".