O Ibovespa conseguiu emendar um segundo dia positivo, série curta que, contudo, não era vista desde a primeira metade de abril, quando o índice encadeou 11 altas, entre 30 de março e 14 de abril, sequência que o alçou a novas máximas históricas bem perto do limiar dos 200 mil pontos. Nesta quarta-feira, 6, flutuou dos 186.762,11 até os 188.674,36 pontos, com mínima correspondente ao nível de abertura. Ao fim, marcava 187.690,86 pontos, em alta de 0,50%, com giro a R$ 29,2 bilhões. Na semana e no mês, o índice passa ao positivo (+0,20%), e no ano sobe 16,49%.

As principais ações da B3 operaram no campo positivo, à exceção de Petrobras (ON -3,77%, PN -2,86%) e de Itaú (-1,60%), que divulgou na terça-feira à noite balanço forte, mas em linha com o esperado. Bradesco (ON +0,67%, PN +0,42%) com previsão de divulgação dos resultados trimestrais após o fechamento do mercado financeiro.

Em Nova York, os principais índices subiram mais de 1% na sessão, com destaque para o tecnológico Nasdaq (+2,02%) e o amplo S&P 500 (+1,46%), ambos em novos recordes. Por aqui, o dólar à vista teve leve viés de alta (+0,18%), na casa de R$ 4,92 no fechamento do câmbio. Os rendimentos dos Treasuries e a curva do DI cederam terreno nesta quarta-feira.

Na B3, destaque para a forte recuperação de Vale ON, principal ação do Ibovespa, que neutralizou as perdas da semana e do mês com um ganho de 3,62% na sessão. Na ponta ganhadora do índice, C&A (+7,06%), Cury (+6,89%) e CSN (+6,86%). No lado oposto, TIM (-7,88%) e Prio (-4,26%) à frente das duas ações de Petrobras, em dia no qual os contratos futuros mais negociados do Brent e do WTI mergulharam 7%, em Londres e Nova York.

A produção de petróleo bruto da Opep caiu para nova mínima em 36 anos no mês passado, com a guerra no Irã sufocando as exportações do Golfo Pérsico e levando a mais interrupções, de acordo com pesquisa da Bloomberg. A produção caiu em 420 mil barris por dia, para 20,55 milhões por dia em abril. É o menor nível desde 1990, com perdas mais profundas no Kuwait e Irã.

Em desdobramento negativo, o Exército dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira ter disparado contra um petroleiro iraniano, no momento em que o presidente Donald Trump pressiona Teerã a chegar a um acordo para encerrar a guerra. Um caça americano atingiu o leme do petroleiro no Golfo de Omã enquanto a embarcação tentava romper o bloqueio militar dos EUA aos portos iranianos, informou o Comando Central dos EUA em publicação nas redes sociais.

Mas a descompressão observada nos preços da commodity na sessão - e a correspondente retomada do apetite por ativos de risco, como ações - decorreu de um otimismo maior quanto a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que reduz temores sobre interrupções no fornecimento global de petróleo.

À tarde, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã se comprometeu a não desenvolver armas nucleares, mencionando que teve "discussões positivas" com o país persa nas últimas 24 horas. E o secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse que, com ou sem um acordo com o Irã, Washington vai garantir o livre fluxo através do Estreito de Ormuz. Em outro desdobramento favorável, o Irã indicou que a passagem está liberada para uma travessia "segura e estável".

"Possibilidade de reabertura de Ormuz despertou forte apetite por risco desde o exterior, com acentuada correção também nos preços do petróleo", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, destacando em especial a recuperação observada nas ações com maior exposição a juros, como as de construção e de varejo, associadas ao ciclo doméstico.

"As bolsas globais reagiram bem, e aqui no Brasil não foi diferente. Esse clima positivo ainda se somou a uma temporada de balanços corporativos bem movimentada", diz Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors. "Bancos e mineradoras seguraram o índice ao longo do dia, com a entrada de capital estrangeiro favorecendo a alta do Ibovespa", acrescenta Luise.

Ela observa que, no exterior, a temporada de balanços também segue forte, com o S&P 500 e o Nasdaq em máximas históricas puxadas, principalmente, pelos sólidos resultados de empresas de tecnologia.