O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou nesta quinta-feira (18) que a instituição espera um período prolongado de inflação acima da meta e defendeu a recente elevação dos juros, avaliando que a medida foi apropriada mesmo diante da possibilidade de um cenário econômico mais brando, em meio aos avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã.
Segundo Lane, o BCE continua focado na estabilidade de preços e está preparado para agir novamente, se necessário. "Nosso trabalho é estabilizar os preços. Se for preciso agir nos juros para isso, agiremos", afirmou durante evento do Deutsche Bank.
O dirigente classificou o ambiente atual como um "choque de magnitude média" e disse que a alta dos juros promovida na semana passada teve como objetivo conter a propagação dos impactos do choque energético para o restante da economia. Ao mesmo tempo, destacou que a autoridade monetária está disposta a relevar choques temporários que não tenham efeitos persistentes.
Lane avaliou que, apesar da recente queda dos preços do petróleo, os alimentos devem continuar pressionando a inflação. "Mesmo com a queda do petróleo, acreditamos que os preços dos alimentos continuarão subindo", disse.
Sobre a atividade econômica, o economista-chefe afirmou que a economia da zona do euro "está indo bem", apoiada por um mercado de trabalho resiliente. Segundo ele, o emprego permanece estável e a renda real continua avançando.
Lane também indicou uma mudança na avaliação do BCE sobre a taxa de juros neutra. De acordo com ele, o limite superior da faixa considerada neutra subiu para 2,5%, ante 2,25% anteriormente. Ainda assim, ressaltou que o banco central não pretende "alterar os juros de maneira brusca".