O Ibovespa abriu a sessão desta segunda-feira (6) em queda, corrigindo parte das duas últimas altas, em meio ao recuo do petróleo e enquanto acompanha a audiência pública nos Estados Unidos sobre as novas tarifas propostas para produtos brasileiros. O movimento ocorre antes da agenda da semana ganhar força.

Entre as divulgações que poderão mexer com os ativos estão a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na quarta, 8, e na sexta-feira, 10, respectivamente.

"É uma semana relevante, com vetores importantes para a política monetária do Brasil e dos Estados Unidos", diz Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.

A desvalorização do principal indicador da B3 destoa da elevação de 0,14% do minério de ferro, em Dalian, e da valorização da maioria dos índices das bolsas em Nova York nesta manhã, na volta do feriado da Independência dos EUA, na última sexta-feira, 3.

Na ocasião, o Ibovespa subiu 0,74%, aos 174.070,27 pontos, atingindo a melhor marca em um mês, diante de expectativas de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto, após a produção industrial de maio fraca.

A estimativa de recuo do juro básico no Comitê de Política Monetária (Copom) no mês que vem pode ser reforçada na desaceleração das previsões para a inflação brasileira no boletim Focus, ainda que as projeções para a Selic tenham ficado inalteradas.

Nesta segunda-feira, a pesquisa Focus mostrou redução nas expectativas para o IPCA em 2026 de 5,33% para 5,30%, acima do teto da meta, de 4,5%. Já a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses caiu de 4,14% para 4,10%. Em relação à Selic, a previsão para este ano continuou em 14% ao ano, por exemplo.

As reduções nas previsões de inflação geram mais expectativa para o IPCA do mês passado, que sairá na sexta-feira. Conforme Spiess, da Empiricus, o dado fica no foco, principalmente depois de "toda a polêmica" em torno do comunicado do Copom de junho, que trouxe um texto confuso, após cortar a Selic de 14,50% para 14,25% e reconhecer piora nas expectativas de inflação. "O Focus trouxe leve queda na projeção de IPCA de 2026. Isso está um pouco alinhado à redução do petróleo depois da normalização do Estreito de Ormuz", afirma.

O recuo do petróleo nesta segunda deve-se à confirmação pela Opep+ de um novo aumento da produção e diante da normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. A desvalorização da commodity impõe menos pressão sobre a oferta, alivia os temores de inflação global e, consequentemente sobre a política monetária mundial.

Depois da fraca geração de vagas de emprego nos EUA em junho, conforme o payroll de junho informado na quinta-feira (2) e que reduziu expectativas de altas de juros pelo Fed, nesta semana fica no foco a ata do Federal Reserve (Fed).

No Brasil, o destaque é o IPCA do mês passado, que também pode ajudar a calibrar apostas para a Selic. Ainda fica no radar a audiência pública do USTR nos EUA, às 11h, sobre políticas e práticas comerciais do Brasil, no âmbito da Seção 301. A investigação comercial poderá resultar em tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, aumentando a cautela em relação aos ativos locais.

Às 11h05 desta segunda, o Índice Bovespa caía 1,14%, na mínima aos 172.078,23 pontos, após abertura na máxima aos 174.057,47 pontos. Ações de primeira linha, como Vale (-0,56%), Petrobras (PN: -0,92% e ON: -1,20%) e bancos recuavam. Itaú e Bradesco, por exemplo, cediam entre 0,80% e 1,28% (Bradesco ON; PN caía 0,95%). De 79 ativos, 10 subiam, caso de Cosan (2,38%).