A STMicroelectronics elevou pela segunda vez neste ano sua meta de receita com data centers, à medida que a corrida pela construção de infraestrutura de inteligência artificial segue impulsionando a demanda por semicondutores.

A fabricante europeia de chips - que tem entre seus clientes Apple e as empresas de Elon Musk Tesla e SpaceX - afirmou nesta quinta-feira, 23, que a receita com data centers deve superar US$ 1 bilhão neste ano e ficar bem acima de US$ 2 bilhões no ano que vem. Antes, a empresa indicava cerca de US$ 1 bilhão em 2026 e aproximadamente US$ 2 bilhões em 2027.

O grupo já havia revisado essas projeções para cima em junho, evidenciando a rapidez com que cresce a demanda por chips usados em data centers de alto consumo de energia. Como outras companhias do setor, a STMicroelectronics vem se beneficiando de compromissos de investimento de centenas de bilhões de dólares anunciados por alguns dos maiores grupos de tecnologia do mundo para expandir a infraestrutura de IA.

O CEO Jean-Marc Chery disse que a receita do segundo semestre deve crescer acima do nível normal de 15% em relação ao primeiro, apontando data centers e satélites como os principais vetores.

A empresa também busca capturar a demanda por semicondutores para satélites em órbita baixa, capazes de levar conectividade a dispositivos em áreas remotas, em um setor que deve continuar em expansão nos próximos anos.

A STMicroelectronics projeta gerar bem mais de US$ 3 bilhões em receita entre 2026 e 2028 com o fornecimento de equipamentos para uso no espaço - estimativa que, por ora, não inclui eventuais ganhos com data centers em órbita.

Redes de satélites em órbita baixa ficam mais próximas da Terra do que constelações tradicionais, o que permite oferecer banda larga de baixa latência diretamente a smartphones em regiões sem cobertura de torres de celular.

O Starlink, da SpaceX, já oferece conectividade direta a dispositivos em vários países, incluindo a Ucrânia, onde danos às redes terrestres por causa da guerra são frequentes. A STMicroelectronics é uma fornecedora-chave da SpaceX, em uma parceria de mais de 10 anos.

IA e espaço são oportunidades para a STMicroelectronics crescer e diversificar seus negócios, historicamente mais dependentes da indústria automotiva, dada sua exposição a clientes como Tesla, a alemã Continental e a israelense Mobileye. Embora esse mercado tenha se recuperado, ele foi um ponto fraco nos últimos anos, quando montadoras levaram mais tempo para absorver os estoques de chips acumulados no auge da pandemia, limitando a demanda por novos pedidos.

As vendas nos três meses até 27 de junho cresceram 26% na comparação anual, para US$ 3,49 bilhões, acima da orientação da empresa (cerca de US$ 3,45 bilhões) e também da projeção de analistas (US$ 3,47 bilhões), segundo a Visible Alpha. Chery afirmou que equipamentos de comunicação, periféricos de computadores e o segmento automotivo lideraram o crescimento.

"Durante o trimestre, a demanda aumentou ainda mais, com pedidos fortes em todos os mercados finais. Observamos maior visibilidade e sinais de oferta apertada em várias categorias de produtos", disse ele.

Para o trimestre atual, a STMicroelectronics projeta receita de cerca de US$ 3,70 bilhões, ante US$ 3,19 bilhões um ano antes. Para o quarto trimestre, a expectativa é de receita acima de US$ 4 bilhões, frente a US$ 3,33 bilhões no mesmo período do ano passado.

A companhia voltou ao lucro no segundo trimestre, com resultado líquido de US$ 222 milhões, ante prejuízo de US$ 97 milhões um ano antes. O lucro bruto - indicador acompanhado de perto como medida de poder de precificação - subiu para quase US$ 1,22 bilhão, de US$ 926 milhões, com margem bruta de 34,8%. Analistas estimavam lucro líquido de US$ 209,9 milhões e lucro bruto de US$ 1,22 bilhão, segundo a Visible Alpha. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast