A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta sexta-feira, 31, que votou a favor de uma alta de 25 pontos-base dos juros na reunião desta semana do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) por considerar que a inflação segue "alta por tempo demais" e que a atual postura da política monetária não é suficientemente restritiva.

Em comunicado explicando seu voto dissidente, Hammack disse que uma taxa básica mais elevada "ajudaria a conter a atividade econômica e reduzir as pressões inflacionárias". Segundo ela, este é o momento para o Fed acelerar o retorno da inflação medida pelo índice de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) à meta de 2%.

"A inflação permaneceu teimosamente acima de 2% por mais de cinco anos, e não estou confiante de que retornará à nossa meta por conta própria", afirmou ela.

Para a dirigente, embora fatores do lado da oferta, como os preços da energia, tenham impulsionado a inflação neste ano, também há pressões vindas da demanda da economia.

Hammack afirmou que relatos recebidos em seu distrito reforçam essa avaliação. Segundo ela, empresas descrevem pressões sobre os preços "cada vez mais disseminadas, em vez de estarem diminuindo", enquanto consumidores demonstram "desespero" diante dos preços persistentemente elevados.

A dirigente avaliou ainda que, com o mercado de trabalho estável e a taxa de desemprego próxima do nível compatível com o pleno emprego, a inflação elevada representa atualmente o principal desafio para a autoridade monetária. "Quanto mais tempo a inflação elevada persistir, mais desafiador e custoso poderá ser trazê-la de volta", alertou.

Hammack ressaltou que divergências são parte importante do processo decisório do FOMC e afirmou que continuará trabalhando com os demais dirigentes para cumprir o duplo mandato do Fed de promover o máximo emprego e a estabilidade de preços.