O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira, 17, que a autarquia teve que avançar mais do que esperava na regulação bancária, definindo novos limites e regras de crescimento das instituições financeiras e de utilização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sem mencionar o escândalo do banco Master, Galípolo citou ainda um desafio da educação financeira, já que muitos brasileiros investem em Certificados de Depósitos Bancários, os CDBs, sem analisar o risco.

"O Banco Central teve que avançar um pouquinho no que é a nossa linha de atuação. O que eu quero dizer com isso? Definir uma linha do que é e não é permitido", comentou Galípolo durante participação na conferência anual do Santander.

Como exemplo, ele disse que o Banco Central teve que avançar na regulação dos limites de expansão dos ativos das instituições financeiras, de modo a impedir um descasamento com os seus passivos, assim como nas garantias dadas em captações.

Conforme Galípolo, muitas vezes, quem compra CDBs não analisa o risco do investimento pelo sentimento de que está protegido pela garantia do FGC. "Este talvez seja o mais desafiador, mas que é desejável, nesse processo de educação financeira: o cidadão entender que todo tipo de investimento que tem prêmio tem algum tipo de risco."

No fim de sua participação na conferência do Santander, Galípolo foi questionado se poderia dar algum conselho aos candidatos a presidência da República, inclusive ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição. O presidente do BC respondeu que não tem pretensão de dar conselho a nenhum candidato.

"Acho que tem ótimos quadros aí. O papel do Banco Central é defender o seu quadrado e não deixar ele ser invadido. Mas também não exorbita", disse Galípolo.