Após abrir estável em 183.476,36 pontos, o Ibovespa renovou mínima em 181.931,36 pontos (-0,84%) na manhã desta segunda-feira, 28, acompanhando a queda das bolsas em Nova York. O recuo do principal indicador da B3 ocorre em meio ao avanço de cerca de 2% nos contratos futuros do petróleo. A commodity sobe em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à persistência das tensões no Oriente Médio.

Apesar de o petróleo em níveis elevados aumentar preocupações com pressões inflacionárias e juros mais altos no mundo, as ações do setor se beneficiam, com os papéis da Petrobras apresentando valorização próxima a 2%. E a despeito do recuo de 0,91% do minério em Dalian, as ações da Vale reduziam a queda por volta das 11h30. Assim, o Ibovespa também passou a avançar novamente: +0,23%, na máxima em 183.898,57 pontos.

A semana é de agenda carregada no Brasil e lá fora. Além do calendário de indicadores - com dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos, entre outros - a expectativa pelo primeiro turno da eleição presidencial tende a elevar a volatilidade do índice.

Nesta manhã, o sinal é de queda nos índices de ações de Nova York, após alta na sexta-feira, e avanços dos rendimentos dos Treasuries, o que empurra para cima os juros futuros brasileiros. Na sexta, o Índice Bovespa encerrou em baixa de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, acumulando perda semana de 0,95% e alta de 3,41%.

O mercado monitora com atenção as pesquisas eleitorais e o noticiário ligado aos dois candidatos à frente na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Divulgado hoje, levantamento BTG/Nexus mostra Lula com 46% das intenções de voto em eventual segundo turno e o senador Flávio Bolsonaro com 44%, tecnicamente empatados, assim como a Quaest - cada um com 43%. Nesta semana, sairá Datafolha na quinta-feira.

Quanto ao primeiro turno, a Quaest mostrou que Lula tem 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, 34%.

Já alguns mercados de previsão como Polymarket dão vantagem ao Flávio, em torno de 57%, cita João Debom, sócio da Supernova Investimentos. "Essa diferença entre pesquisa e aposta mantém a volatilidade alta. Cada pesquisa e cada debate desta semana deve mexer com bolsa e câmbio", afirma.

"O mercado só vai melhorar se as próximas pesquisas mostrarem melhora relevante de Flávio Bolsonaro", diz Luiz Roberto Monteiro, operador independente.

Além da cautela eleitoral, Rodrigo Moliterno head de renda variável da Veedha Investimentos, menciona que a questão geopolítica segue pesando negativamente nos mercados. "O petróleo sobe novamente depois da negação dos Estados Unidos quanto a um acordo com o Irã. Isso reacende a preocupação com a inflação", diz.

Também informado nesta segunda-feira, o Focus trouxe que a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 4,62% para 4,65%, acima do teto da meta de 4,50%. Considerando apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,73% para 4,70%.

A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,92% para 4,99% A estimativa para 2027 foi de 4,30% para 4,31%. Já a expectativa para a Selic foi mantida em 13,50% para o fim de 2026.

O mercado repercute o fim das bets, anunciado na sexta-feira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo não vai devolver às casas de apostas as outorgas pagas para operar no Brasil, mesmo com a proibição do setor.

As ações da Petrobras subiam 2% e as da Vale cediam 0,01%.