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    Professores e alunos criticam provas do EnemTamanho dos enunciados, volume de questões e duração da prova estão entre os principais problemas apontados

    Melissa Ribeiro
    Repórter
    7/12/2009

    Como já era temido por professores e candidatos, o volume de questões e o tempo de duração das provas foram os principais problemas enfrentados pelos alunos que participaram do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), nesse final de semana, dias 5 e 6 de dezembro.

    Para o coordenador de matemática e de física de um cursinho pré-vestibular da cidade, João Batista de Oliveira,  a duração da prova foi incompatível com o número de questões. "As 45 perguntas de matemática exigiriam de um bom aluno pelo menos 4 horas para serem resolvidas. A prova tem a duração de 5h30, mas o aluno teve que dividir esse tempo também com o caderno de português e a elaboração da redação", comenta.

    Oliveira também aponta que a diagramação do exame de matemática pode ter prejudicado os alunos. "O aluno não tinha espaço nenhum para elaborar e resolver as questões. Muita gente acabou errando as contas por falta de espaço."

    Para o estudante Calazans Ananias Pires, 23, que pretende cursar Letras, o exame ofereceu questões bem elaboradas, mas extensas e cansativas. "A prova não testou o nosso conhecimento geral, mas a nossa capacidade de resistência." Ele acredita que o modelo aplicado deveria ter valorizado os alunos que se preparam. "A prova não privilegiou quem estudou. Com a falta de tempo hábil para fazer tudo, chegou um momento em que, mesmo aquele se preparou, foi obrigado a chutar as respostas."

    Robson Anastácio, 21, que quer cursar Administração, também criticou o tempo de duração do exame. "Em uma prova como esta, nem dá para ir ao banheiro. Sair da sala é gastar tempo e perder questões." O estudante Alexander Evangelista Santos, 18, que se prepara para o curso de Engenharia Mecânica, também critica o pouco tempo disponibilizado e diz que a opinião é compartilhada pelos colegas de sala de aula. Ele comenta ter sentido falta de um conteúdo mais direcionado nas provas e diz não recomendar a participação no Enem. "Não vale a pena fazer o exame. Vestibular é menos cansativo e mais objetivo."

    Concentração e leitura

    A estudante Anna Karla Nascimento Lima, 18, que busca uma vaga em Enfermagem, fez a prova do Enem pela segunda vez. Ela considera que o nível dos testes foi médio, e que, além do cansaço, a prova testou a capacidade de concentração dos alunos. Segundo Anna, a coincidência entre o horário do exame e o jogo entre Flamengo e Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, foi mais uma dificuldade enfrentada pelos candidatos. "Estava complicado prestar atenção na prova, por causa do barulho dos foguetes, das buzinas, dos carros de som e da gritaria na rua antes e durante o jogo".

    O coordenador de um outro curso pré-vestibular, Sérgio Castro, aponta que os enunciados longos e escritos de maneira prolixa também prejudicaram os alunos. Além disso, ele destaca que a exploração do conteúdo de maneira muito diferente do que vem sendo trabalhado no ensino médio dificultou a resolução das questões. Para ele, nem professores nem alunos tiveram tempo para se adaptar à nova proposta do Enem. "Essa cobrança multidisciplinar faz com que as perguntas fiquem simples, mas distantes do conteúdo que os alunos estudam. Ela exige muito mais leitura e conhecimento geral do que a informação específica vista em sala de aula."

    O primeiro gabarito das provas, publicado domingo no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi retirado do ar. O novo gabarito foi divulgado na manhã desta segunda-feira, dia 7 de dezembro. Para o coordenador de um colégio da cidade, José Mário Brunelli Sofa, a divulgação das repostas com erros foi lamentável. "O equívoco coloca em xeque a credibilidade do processo, principalmente em função de toda a polêmica que já envolveu o exame, com o vazamento das provas."

    Abstenções ficam em torno de 40,6% em todo o país

    De acordo com informações do Ministério da Educação (MEC), o índice geral de abstenção às provas do Enem foi de cerca de 40,6% nos dois dias do exame, em todo o Brasil. O número bateu o recorde de ausência de estudantes e foi considerado pelo Inep como o resultado da distância de quase cinco meses entre o período de inscrições e o de aplicação da prova e também à ocorrência de chuvas em todo país, durante o fim de semana em que o exame aconteceu. O novo Enem recebeu mais de quatro milhões de inscrições.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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