RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O empate com a Tunísia foi o desfecho de um ano de reconstrução na seleção brasileira. Sob o comando de Carlo Ancelotti ao longo dos últimos seis meses, o Brasil entrou em um processo de correção de rota.
A virada do ano chegará com um padrão de jogo definido, referências reestabelecidas e algumas lacunas no time titular. De todo modo, o Brasil sai de 2025 melhor do que entrou.
HÁ VAGAS
Entre as dúvidas, as laterais. Entre as certezas, uma formação 4-2-4 que prioriza jogadores habilidosos na frente e fez o desempenho crescer quando utilizada.
No geral, Ancelotti pôde perceber em quem dá para confiar ou não na Copa do Mundo.
A lacuna nas laterais simboliza a instabilidade ainda persistente no time. Tanto que a solução mais recente foi apostar em Eder Militão na direita.
Na esquerda, Alex Sandro parece mais consolidado, assim como Douglas Santos. Mas não dá para dizer que a disputa acabou.
Ancelotti também vira o ano em busca de um atacante de referência. Vitor Roque foi o teste mais recente, até porque ele não conseguiu convocar Pedro, machucado.
No meio disso tudo, Neymar parece uma realidade cada vez mais distante para a seleção.
O QUE DEU CERTO?
Por mais que Ancelotti tenha pouco tempo na seleção brasileira, ele comandou a equipe em oito dos dez jogos do Brasil em 2025.
São oito partidas, quatro vitórias, dois empates e duas derrotas, com 14 gols marcados e cinco sofridos.
As vitórias sobre Senegal (2 a 0), Chile (3 a 0) e Coreia do Sul (5 a 0) trouxeram o que o Brasil teve de melhor.
Estêvão é o grande expoente do momento atual, embora o italiano tenha sido multicampeão no Real Madrid com o brilho de Vini Jr. e Rodrygo.
O retorno de Casemiro foi um ponto crucial para dar equilíbrio ao time, seja na defesa ou na construção de jogo. Bruno Guimarães se aproveitou muito da nova parceria e já forma uma dupla que parece inquestionável.
AS OSCILAÇÕES
Por causa dos testes -mas não só por eles?, o Brasil não ficou imune às oscilações com Ancelotti. Mas nada tão grave quanto o colapso na Argentina, que marcou a despedida de Dorival.
Perder para a Bolívia teve o elemento altitude. Perder para o Japão ? sim, pela primeira vez na história - teve um amontoado de falhas individuais e coletivas em um segundo tempo tenebroso, com o time todo alterado.
Os empates abriram e encerraram o ano de Ancelotti: 0 a 0 com Equador, na estreia, e 1 a 1 com a Tunísia, esta semana.
EFEITO POLÍTICO E DE IMAGEM
A seleção ganhou uma nova em campo e também na relação com o torcedor. Até por isso a CBF se movimenta por um amistoso no Maracanã antes da viagem para a Copa.
Talvez essa onda de Ancelottismo faça até parte de um grau de tolerância maior com técnicos estrangeiros que chegam no mercado brasileiro ? como defende Fernando Diniz, que foi interino nos seis jogos iniciais das Eliminatórias, ainda em 2023.
De todo modo, Ancelotti virou um ponto de estabilidade na tentativa de contagiar a seleção brasileira com sua liderança tranquila, padrão de jogo e um acerto final rumo à Copa do Mundo.
Na CBF que mudou de presidente após uma decisão judicial, a confirmação do italiano como substituto de Dorival Júnior ? demitido ainda em março ? foi o último ato da gestão Ednaldo Rodrigues.
A apresentação de Ancelotti, ao mesmo tempo, foi o pontapé inicial de um rebranding que começou no dia seguinte à eleição de Samir Xaud.
O cargo de técnico da seleção deixou de ser uma dor de cabeça e já se fala sobre renovação para o pós-Copa do Mundo.
Mas antes, é preciso saber o real valor de Ancelotti para a seleção. E não estamos falando dos R$ 5 milhões mensais de salário.
A Copa do Mundo dará essa resposta. Em março, contra França e Croácia, virão os dois últimos amistosos antes da lista final para o Mundial. O hexa vem?