A paixão pelo Flamengo para o juiz-forano Daniel Batista de Assis vem de berço. Não foi por acaso, nem por moda: Foi uma herança. Uma memória construída nas tardes ao lado dos avôs, paterno e materno, ambos falecidos no início dos anos 2000, que o ensinaram a torcer, vibrar e sofrer com o rubro-negro. Um deles deixou uma camisa de 1995, guardada até hoje. O outro o chamava para assistir partidas, sempre com a certeza de que o neto carinhoso estaria ali. Quando Daniel decidiu atravessar a América do Sul para ver uma final de Libertadores ao vivo pela primeira vez, não foi apenas por um time, foi por essa história inteira.
Morador do bairro Esplanada, o torcedor de 33 anos embarcou na segunda-feira (24), no Rio de Janeiro, em um comboio formado por ônibus de torcidas organizadas. A rota é longa: Rio - São Paulo - Mato Grosso - Bolívia - Peru. No total, mais de 6.000 km, uma travessia de cinco dias até Lima, onde Flamengo e Palmeiras decidem o título continental, no estádio Monumental neste sábado (29).
A saga continental
A jornada começou no fim de semana. Daniel saiu de Juiz de Fora rumo ao Rio, assistiu Flamengo x Bragantino no Maracanã e permaneceu na cidade até o embarque dos torcedores.
“Peguei logo a viagem mais longa do mundo. Saí do Rio na segunda, estamos desde 14h viajando. Já está valendo a pena”.
As dificuldades não demoraram a aparecer. O trecho boliviano, segundo Daniel, foi o mais duro. “Não é todo dia que conseguimos comer e tomar banho. O último banho foi na divisa do Mato Grosso com a Bolívia, na terça-feira. Só fomos parar pra comer agora, quinta, na Bolívia com o Peru”.
Dinheiro também vira obstáculo. “A Bolívia é um país pobre. Não aceita cartão, nem outra moeda. Meio difícil”, relata. Em um dos trechos, o comboio ficou 36 horas sem parar.
Mesmo exaustiva, a experiência é a realização de uma vida inteira de arquibancada. “Tudo pelo Mengo. É a primeira vez que viajo pra fora do país e a primeira vez vendo o Flamengo numa final da Libertadores”.
Ao refletir sobre a experiência, Daniel faz um recorte sobre o futebol atual.
“O futebol moderno muitas vezes tira o torcedor de raízes de finais como essa”.
Daniel é integrante da Urubuzada Juiz de Fora há 16 anos. A união dentro da torcida, segundo ele, foi essencial para tornar o sonho possível. Amigos, conhecidos e rubro-negros de outras cidades se uniram para ajudá-lo com custos e logística.
“Sou bem conhecido entre outras torcidas. Me ajudaram muito, graças a Deus”.
Profissionalmente, ele prefere não expor sua função. Mas faz questão de citar o apoio que recebeu no trabalho.
“Meu Supervisor é meu fechamento.”
A viagem não é apenas mais uma. É a realização do sonho daquele garoto que assistia aos jogos na sala com os avôs e chega a Lima como o homem que cumpre o que aprendeu com eles: Torcer até o fim. A primeira ida ao exterior, a primeira decisão da Libertadores no estádio, o Flamengo diante dos olhos, não por televisão, não por rádio, ao vivo.
“Desde pequeno sou Flamengo. Eles sempre me chamavam pra ver jogo. É a primeira vez em outro país e a primeira vez vendo o Flamengo na final. Tudo o que está acontecendo já valeu a pena", finaliza.
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