SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando a seleção brasileira conquistou a medalha de prata no torneio feminino de futebol dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, foi uma surpresa. A equipe não estava entre as favoritas e só participou do mata-mata por uma combinação de resultados que lhe permitiu avançar com duas derrotas em três partidas na primeira fase.

O time, então, derrubou a anfitriã França, fez quatro na campeã mundial Espanha e teve uma porção de chances na final contra os Estados Unidos. Hoje, se houvesse em um futuro próximo uma grande competição internacional, o Brasil não seria considerado uma zebra.

A formação nacional viveu um 2025 de consolidação, com o esperado ?ainda que bastante suado? título da Copa América e com resultados expressivos contra potências da modalidade. A ideia em 2026 é dar novos passos e entrar da melhor maneira em 2027, ano em que a Copa do Mundo feminina será realizada pela primeira vez em território brasileiro.

"Tivemos um ano melhor do que o anterior. Colocamos novamente o Brasil como uma das principais seleções e fomos mais consistentes, com vitórias expressivas e inéditas", afirmou o técnico Arthur Elias.

Ele se referia, na parte do ineditismo, ao triunfo por 2 a 1 sobre os Estados Unidos, em San Jose, na Califórnia, em abril. As brasileiras não venciam as norte-americanas em qualquer lugar desde 2014 e jamais haviam triunfado na casa delas ?até então, eram 11 visitas e 11 derrotas.

A seleção terminou 2025 com dez vitórias, dois empates e três derrotas, com 39 gols marcados e 18 sofridos. Uma das vitórias foi sobre a Inglaterra, campeã europeia. Os dois empates foram contra Colômbia: um na primeira fase da Copa América, outro na decisão, que teve brilho da veterana Marta e glória nos pênaltis após emocionante 4 a 4. As derrotas foram em amistosos contra Estados Unidos, França e Noruega.

"Não gostei das derrotas que tivemos, principalmente contra Estados Unidos e Noruega. Não jogamos nosso futebol. A derrota para a França eu coloco num lance de VAR", disse Arthur Elias, satisfeito com a proposta de jogo que julga ter implantado, com média de 2,6 gols anotados por duelo.

"A seleção precisava fazer mais gols, estava faltando isso para o Brasil. Podemos mudar o sistema tático, mas a identidade não muda. A equipe hoje tem mais repertório", afirmou o treinador, que passou a adotar o 3-4-3 como formação preferida.

Ele destacou ainda "a mescla de jogadoras jovens e experientes" adotada. Se continua a mostrar relevância a craque Marta, 39, que sempre se despede e sempre vai ficando, ganharam espaço nomes como a atacante Amanda Gutierres, 24, artilheira da Copa América e vendida por valor recorde no futebol brasileiro (US$ 1,1 milhão, cerca de R$ 6 milhões) pelo Palmeiras ao Boston Legacy, dos Estados Unidos.

Nesse ano de consolidação, o Brasil chegou a ocupar o quarto lugar no ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol) e terminou a temporada em sexto. Em 2026, enfrentará a Inglaterra na Finalíssima, o embate entre a campeã sul-americana e a campeã europeia, em março, em local a ser definido.

Diante das inglesas e nos demais compromissos o plano é ganhar corpo a caminho da Copa do Mundo de 2027. Há, na visão de Arthur Elias, bastante espaço para crescimento, mas seu time não é surpresa, como foi nos Jogos Olímpicos de Paris.

"Se a Copa fosse hoje, estaríamos prontos."