PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Vinte e dois metros em linha reta separam, no ponto mais próximo, os estádios do Paris Saint-Germain e do Paris Football Club, que se enfrentam neste domingo (4), no primeiro clássico parisiense desde 1978.
O jogo, pela última rodada do primeiro turno do Campeonato Francês, será às 20h45 locais (16h45 de Brasília), no Parque dos Príncipes, estádio do PSG, atual campeão nacional, europeu e intercontinental ?a CazéTV transmite para o Brasil. Haverá outro confronto entre os dois no mesmo campo, no dia 12, por vaga nas oitavas de final da Copa da França.
O clássico do returno será em 16 de maio, no estádio Jean Bouin, adotado no início desta temporada pelo PFC, recém-promovido à primeira divisão.
Por ora, os dois clubes mantêm relações cordiais ?a tal ponto que no estádio do PFC funciona a loja oficial do PSG. Mas a ascensão do ambicioso PFC faz sombra à imagem do PSG como grande marca do futebol de Paris. Além dos nomes parecidos e dos estádios contíguos, ambos têm escudos semelhantes, com a Torre Eiffel estilizada.
Rivais tão próximos não são inéditos no futebol mundial. É de 70 metros a distância entre os campos do FC Kobenhavn e do B.93, na Dinamarca; de 200 metros, entre os estádios dos arqui-inimigos argentinos Independiente e Racing, de Avellaneda; e de 700 metros, entre o Brinco de Ouro e o Moisés Lucarelli, dos campineiros Guarani e Ponte Preta.
A existência de estádios vizinhos em Paris tem razões históricas.
Separados pela rua Claude Farrère, o Parque dos Príncipes (inaugurado em 1897) e o Jean Bouin (de 1928) ficam no sofisticado 16º distrito, que no início do século 20 era distante do centro de Paris e repleto de terrenos livres para a construção de instalações esportivas.
Além dos dois estádios, no mesmo bairro ficam o hipódromo de Auteuil (1873), o complexo de tênis de Roland Garros (1928) e o ginásio de handebol Pierre de Coubertin (1937).
Os dois times têm uma origem comum. E confusa. Em 1969, sentindo falta de um clube grande na capital francesa, um grupo de dirigentes fundou o Paris FC. No ano seguinte, ele se fundiu com o pequeno Stade Saint-Germanois, de uma cidade vizinha, e virou Paris Saint-Germain.
Em 1972, o clube se dividiu em dois ?o Paris FC, na primeira divisão, e o Paris Saint-Germain, na terceira.
Em 1974, o PSG chegou à primeira divisão, e o PFC foi rebaixado, e suas trajetórias tomaram rumos opostos. Chegaram a se enfrentar algumas vezes ?a última, em dezembro de 1978, empate por um gol. Depois, enquanto o PSG prosperou, o PFC minguou.
Adquirido em 2011 por um fundo de investimento do Qatar, o PSG hoje é uma superpotência, com uma torcida grande e apaixonada. Agora, o PFC aspira a status semelhante. Em 2024, foi assumido pela família Arnault, uma das mais ricas do mundo, dona do grupo LVMH, detentora de marcas de luxo como Louis Vuitton e Dior. O poderoso grupo austríaco Red Bull detém uma participação minoritária no capital.
Vindo de baixo e ainda sem muitos torcedores, o PFC tem adotado um perfil discreto, de time alternativo. Para o retorno à Ligue 1 (a elite do Francês), montou um time suficiente para não cair. Está em 14º lugar entre 18 times ?são rebaixados os dois últimos, e o 16º colocado disputa um mata-mata para permanecer na primeira divisão.
Desde 2022, Raí, eleito em 2020 maior ídolo da história do PSG, é "embaixador" do PFC. Agora, com os dois clubes enfrentando-se na primeira divisão, a situação é uma saia justa para o ex-jogador brasileiro, que tem se saído com tato. "Paris merece um segundo clube. Não é um concorrente", insiste.
Até o ano passado, ainda na segunda divisão, o PFC mandava seus jogos no estádio Charléty, no sul de Paris, que abriga até 19 mil pessoas. O clube surpreendeu no início deste ano ao anunciar a mudança para o Jean Bouin. Reformado em 2013, o estádio tem capacidade quase idêntica, mas uma estrutura mais moderna. Também é usado pelo Stade Français, um dos principais times de rúgbi da Europa.