SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Corinthians aguarda a liberação de valores retidos ?como metade da premiação pelo título da Copa do Brasil? para avançar em negociações com credores e tentar derrubar os transfer bans que neste domingo (04) impedem o clube de registrar novos jogadores.
TROCA DE GARANTIAS POR DINHEIRO NA MÃO
Nos últimos meses, a principal dificuldade do Corinthians nas negociações foi justamente a falta de caixa imediato. Credores chegaram a sugerir que o clube oferecesse como garantia recebíveis futuros do contrato de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro firmado com a Liga Forte União (LFU), mas a diretoria rechaçou a possibilidade de empenhar receitas ainda não recebidas.
A avaliação interna é que condicionar acordos a garantias futuras pode engessar a gestão e comprometer administrações seguintes. Por isso, os departamentos jurídico e financeiro decidiram aguardar a entrada efetiva de recursos ?como premiações do Brasileiro e até mesmo um possível empréstimo lastreado nos recebíveis da LFU? para, só então, realizar pagamentos e avançar em acordos.
Foi nesse modelo que o clube fechou nos últimos dias um acordo com o meia Matías Rojas. O Corinthians deu uma entrada de R$ 20,5 milhões para evitar que um transfer ban relacionado ao jogador entrasse em vigor ?o prazo limite para registro era 2 de janeiro. Os outros R$ 20,5 milhões que completam o acordo serão pagos ainda neste mês.
Segundo a apuração do UOL, essa forma de negociação também permite ao clube barganhar descontos. No caso de Rojas, houve uma redução de aproximadamente R$ 6 milhões em juros e encargos.
RESISTÊNCIA MEXICANA TRAVA FIM DO TRANSFER BAN
Apesar disso, o Corinthians ainda encontra enorme dificuldade para derrubar o principal transfer ban em vigor, que é resultado de uma dívida que atualmente gira em torno de R$ 40 milhões com o Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres, no início de 2024.
O Timão mantém conversas com os mexicanos para tentar chegar a um modelo de pagamento, mas enfrenta forte resistência. Propostas de quitação de até 90% do valor à vista foram recusadas, assim como pedidos de diluição ou redução dos encargos, que ultrapassam R$ 7 milhões.
Além disso, há preocupação interna em manter em dia as parcelas da renegociação feita com o Toluca, também do México, referentes à contratação do atacante Pedro Raul. O acordo prevê pagamentos de oito parcelas de cerca de R$ 5 milhões cujos prazos de pagamentos vão até 2028.
Diante desse cenário, a diretoria admite que só conseguirá resolver os entraves com dinheiro disponível em caixa. Por isso, o clube aguarda o desbloqueio de valores retidos pela Caixa Econômica Federal e outras entradas relativas ao Campeonato Brasileiro, que até o fim de dezembro ainda não haviam sido integralmente recebidas.
Os departamentos jurídico e financeiro estavam, até a última semana do ano, finalizando cálculos de juros, multas e possíveis descontos antes de retomar as negociações.
EXPECTATIVA É RESOLVER ANTES DO PAULISTA
Internamente, a expectativa do Corinthians é conseguir derrubar o transfer ban antes da estreia no Campeonato Paulista, marcada para o dia 11 de janeiro.
Para isso, o presidente Osmar Stábile atua diretamente nos bastidores. O dirigente mantém conversas com Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal, para tentar liberar os recursos referentes à premiação da Copa do Brasil e destravar outras receitas que neste domingo (04) seguem bloqueadas.
A avaliação no clube é que resolver essas pendências agora evitará uma "herança maldita" para futuras gestões, além de melhorar a imagem do Corinthians no mercado e facilitar negociações futuras.