(UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil investiga 35 saques em dinheiro realizados nas contas do São Paulo Futebol Clube entre janeiro de 2021 e novembro de 2025.
As operações somam R$ 11 milhões, segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ao qual a reportagem teve acesso.
O documento aponta um volume expressivo de retiradas em espécie feitas a partir da conta jurídica do clube. O relatório não mostra o destino do dinheiro.
À reportagem, o São Paulo afirma que irá apresentar a contabilidade de todos os valores:
"O São Paulo tem a contabilidade e registros para pagamento de despesas operacionais, que passam por auditoria. A movimentação financeira do clube é informada à Receita Federal. Não existem saques sem registro e a devida contabilização de quem deu origem aos gastos, inclusive com a documentação fiscal".
A Polícia Civil confirmou à reportagem a existência da investigação, mas não deu detalhes. A instituição solicitou à Justiça que o procedimento tramite sob sigilo, o que ainda não ocorreu.
Em outra direção, as autoridades investigam o motivo de o presidente do clube, Júlio Casares, ter recebido R$ 1,5 milhão em dinheiro em sua conta corrente. A reportagem também teve acesso a essa parte da investigação.
Não há, até o momento, evidências que liguem os saques aos depósitos na conta do dirigente.
O clube afirma que os valores sacados não possuem nenhuma relação com as movimentações na conta de Casares.
Das 35 operações feitas no período analisado, 33 foram realizadas no Bradesco e duas no Banco Rendimento, ambas de titularidade do clube.
Em 2021, o montante retirado foi de R$ 1,5 milhão em sete operações. No ano seguinte, foram R$ 1,2 milhão, em seis saques.
No ano seguinte, em 2023, o volume chegou a R$ 1,4 milhão, também em seis retiradas. Em 2024, o valor atingiu R$ 5,2 milhões distribuídos em 11 saques, com média próxima de R$ 500 mil por operação.
Já em 2025, até 25 de novembro, foram R$ 1,7 milhão em cinco saques.
O relatório aponta que, em 2021, os dois primeiros saques foram feitos por um funcionário do clube.
Posteriormente, o São Paulo contratou uma empresa de carro forte para realizar as retiradas. Esse procedimento foi usado em 28 das 35 operações.
A investigação indica que essa mudança pode ter ocorrido para dificultar a identificação dos envolvidos.
De acordo com o Coaf, operações em dinheiro vivo têm como característica interromper a trilha de auditoria eletrônica, o que dificulta a identificação do beneficiário final dos recursos e a comprovação real da destinação da verba.
Tanto o Bradesco quanto o Banco Rendimento classificaram os saques como movimentações atípicas e incompatíveis com as práticas de mercado no relatório enviado à Polícia Civil.
Outro ponto destacado no documento é a ocorrência de falhas em cinco operações, nas quais não houve identificação do responsável pelo saque.