SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Julio Casares, presidente do São Paulo, tem procurado assegurar nos bastidores às várias correntes políticas do clube que comprovará origem lícita dos depósitos em dinheiro vivo na sua conta bancária, revelados pelo UOL e alvo de investigação policial.

Internamente, Casares tem mantido que não há qualquer irregularidade nas movimentações financeiras questionadas e trabalha para reunir documentos e explicações capazes de esclarecer a procedência do dinheiro.

Preparado pela equipe de advogados que o representa na investigação, ele levou algumas dessas justificativas à reunião de anteontem no conselho consultivo, que recomendou contra o seu afastamento.

Dentre os pilares da sua defesa, estiveram os argumentos de nada na investigação liga os depósitos recebidos diretamente ao São Paulo, e que nada também comprova que eles teriam origem ilegal.

A avaliação do presidente, compartilhada com aliados, é de que o debate público ganhou contornos pessoais, extrapolando a análise dos fatos e se transformando em ataques diretos à sua honra, dentro e fora do clube.

A pressão sobre ele se refletiu também nas interações do dirigente com a comunidade tricolor. Nas últimas horas, Julio Casares deixou um grupo de WhatsApp de sócios do São Paulo. Isso aconteceu após provocações e ofensas relacionadas à investigação.

A saída do grupo foi interpretada por pessoas próximas a ele como um sinal do desgaste emocional provocado pela escalada das acusações.

Por meio dos seus advogados, Casares também pediu acesso ao inquérito que investiga o suposto esquema de camarote clandestino no Morumbi - ele não foi citado nem figura entre os investigados - em uma tentativa de mapear a tempestade que atinge o clube.

Além disso, o presidente reuniu mais de 300 prints de mensagens e comentários publicados em redes sociais, muitos deles contendo ofensas e acusações consideradas graves. Todo o material foi encaminhado ao seu advogado, que avalia as medidas jurídicas cabíveis diante do que o dirigente classifica como ataques injustos e difamatórios.

Apesar do momento muito conturbado, Casares segue dizendo a pessoas próximas que não renunciará. Sua defesa, formada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, também é categórica, afirmando que ele enfrentará as acusações tanto dentro do São Paulo como na Justiça.