SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Conselho Deliberativo do São Paulo alterou nesta quinta-feira (8) a data da reunião que vai definir o futuro do presidente do clube, Julio Casares. Marcada inicialmente para a próxima quarta-feira (14), a votação do pedido de impeachment foi adiada para sexta-feira (16). Também ficou determinado que os conselheiros só poderão participar de forma presencial, no Morumbis.
Casares também obteve uma vitória junto ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, que acolheu um pedido da defesa do dirigente e decidiu que serão necessários 75% dos votos favoráveis ao impeachment para que Casares deixe a presidência, como prevê o artigo 58 do Estatuto Social.
Inicialmente, como estabelece o artigo 112 do regulamento, seriam necessários dois terços do Conselho para que o presidente fosse afastado.
Na prática, agora serão necessários 191 votos para destituir o mandatário. Antes, o número era 170. Ao todo, 254 conselheiros estão aptos a participar da votação.
Em caso de aprovação, o presidente do Conselho Deliberativo terá de convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias. Até lá, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assumiria interinamente a presidência, até que ocorra a votação dos sócios. Nessa assembleia, bastaria maioria simples para selar o destino de Julio Casares.
Se o afastamento for confirmado, Harry Massis Junior cumprirá o mandato até dezembro de 2026. A eleição que definirá o novo presidente para o triênio 2027/28/29 está prevista para o fim do ano.
O pedido de afastamento se baseia na alegação de "administração temerária", com descumprimento orçamentário nos últimos anos, falta de transparência na divulgação das contas do clube e comercialização irregular de ingressos para camarotes.
Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicavam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos para um camarote do Morumbis reservado à presidência em dias de shows.
Após a divulgação, Mara Casares, ex-esposa de Julio e então diretora feminina, cultural e de eventos, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.
Em nota, o São Paulo afirmou que "realizará a devida apuração dos fatos" e que, a partir dela, adotará as medidas cabíveis. O clube abriu duas sindicâncias -uma interna e outra externa, com auditoria independente- para investigar o caso.
Também pesou contra Casares a informação divulgada pelo portal UOL de que a Polícia Civil investiga o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro pelo presidente do clube, além de 35 saques que somam R$ 11 milhões realizados em contas do São Paulo.
"As investigações estão em andamento no DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), em segredo de Justiça, razão pela qual os detalhes são preservados para garantir a autonomia do trabalho policial", informou a Secretaria da Segurança Pública em nota.
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf "têm origem lícita e legítima, compatível com a evolução da capacidade financeira" do dirigente.