PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Entre os raros treinadores brasileiros tentando a sorte na Europa atualmente, Paulo César chama a atenção por uma singularidade: ele está na elite do futebol feminino. Aos 47 anos, treina a equipe do Paris Saint-Germain, uma das mais fortes do continente, desde o início da temporada 2025/26.

Ex-lateral de Fluminense, Santos e outros times, ele chegou a defender a seleção brasileira em três amistosos no início de 2002. Na França, jogou durante cinco anos no próprio PSG, entre 2002 e 2007, criando um forte vínculo com o clube. Depois de cinco anos treinando o sub-19 feminino, ele foi promovido a treinador da equipe principal. Mora em uma casa vizinha ao moderníssimo centro de treinamento de Poissy, na periferia oeste de Paris.

"Para mim, é uma honra muito grande poder retribuir um pouco daquilo que eles me deram quando eu fui jogador", afirmou. "Tenho um carinho muito grande e uma relação com o clube muito próxima. É por isso que eu estou aqui hoje."

O início de temporada foi difícil para o PSG. Derrotas nas primeiras rodadas provocaram a eliminação da Champions League ainda na primeira fase. Na liga francesa, o time era vice-líder até o fim de 2025, mas perdeu nove pontos no tapetão, devido à escalação irregular da meio-campista canadense Florianne Jourde, caindo para o quinto lugar. O clube anunciou que vai recorrer.

Apesar desses reveses, o Paris Saint-Germain tem persistido com sua política de valorização da base, o que inclui a permanência de Paulo César no cargo. A aposta nas pratas da casa não impediu o brasileiro de indicar a contratação de duas compatriotas de nível de seleção, a lateral direita Isabela (ex-Cruzeiro) e a meio-campista Yayá (ex-Corinthians). Tudo para tentar se aproximar do Lyon, maior potência do futebol feminino francês, que neste ano investiu em reforços caros.

"Elas trazem uma cultura diferente, uma qualidade técnica que nós temos no Brasil", disse Paulo César. "São jogadoras muito polivalentes. Espero que elas possam se adaptar o quanto antes, que elas possam estar contentes com o que estão vendo."

A dificuldade dos técnicos brasileiros para vencer na elite da Europa é notória. Na geração anterior, Vanderlei Luxemburgo teve uma breve passagem pelo Real Madrid (2005), e Luiz Felipe Scolari, uma pelo Chelsea (2008/09). Ambos tiveram dificuldade com o idioma e a cultura locais.

No caso de Paulo César, o francês fluente adquirido nos tempos de jogador é fundamental.

"É primordial para você poder respeitar a cultura a que você chega. É muito importante se adaptar às particularidades dos países. Para mim, é de uma importância enorme. Estou fazendo inglês para poder me aprimorar, porque eu tenho muitas jogadoras estrangeiras. Hoje, nós temos a tecnologia, que nos ajuda muito", observou.

Atualmente, o ex-lateral Sylvinho é o treinador brasileiro de maior destaque na Europa, com chances de levar a seleção da Albânia à sua primeira Copa do Mundo, na repescagem europeia, que será disputada em março. Campeão do mundo como jogador em 2002, Juliano Belletti levou o Barcelona ao título da Uefa Youth League de 2025, equivalente à Champions sub-20. O ex-zagueiro Cris vem tentando a sorte nas divisões inferiores da França ?treinou recentemente o Châteauroux, da terceira divisão.