O zagueiro Pedro Romano construiu uma carreira marcada por amadurecimento precoce, mudanças importantes e superação de desafios dentro e fora de campo. Natural de Juiz de Fora, criado no bairro Granjas Betânia, o defensor relembra os primeiros passos no futebol, a formação nas categorias de base, a liderança exercida no Tupi durante a Copinha e a experiência como titular do Vila Nova na Série B do Campeonato Brasileiro em 2025.

Início no futebol e formação em Juiz de Fora

Pedro começou no futebol ainda criança, quando as brincadeiras com amigos e familiares passaram a ganhar outro significado. “Eu comecei brincando na rua com meus amigos, com meus primos, Gean e Júnior. Aquilo que era brincadeira começou a se tornar uma paixão”, contou. O incentivo da família foi determinante para transformar o interesse em compromisso com a carreira.

Sua trajetória teve início no Sesi, onde disputou a Copa Bahamas. Na sequência, o zagueiro seguiu para o Sport Club Juiz de Fora, clube em que permaneceu por dois anos. “Fiquei dois anos no Sport, onde eu fui campeão da Liga de Juiz de Fora”, destacou. 

Saída de casa, apoio familiar e destaque no futebol mineiro

O bom desempenho abriu caminho para o primeiro grande desafio fora da cidade. Aos 16 anos, Pedro se mudou para São João del-Rei para defender o Social, onde disputou a Taça BH. “Foi onde eu despertei os olhares do Fluminense”, relembrou. A mudança precoce, no entanto, exigiu maturidade e adaptação longe de casa. 

“Com 16 anos, quando eu saí de Juiz de Fora e fui morar em São João del-Rei, foi um período muito difícil. Foi uma adaptação complicada, mas Deus sempre me deu forças”, contou. Nesse momento, o apoio familiar foi decisivo para a continuidade da carreira. “Depois de Deus, são as pessoas que me dão forças, minha fortaleza. Minha mãe, Rosângela, meus tios, minhas tias, meu avô. Mas preciso destacar o meu tio Marcelo, o tio Celim, que sempre me ajudou desde o início”, afirmou.

A boa performance na equipe de São João del Rei resultou na transferência para o Fluminense, onde Pedro atuou entre 2017 e o início de 2019, permanecendo um ano e seis meses em Xerém e vivenciando o alto nível das categorias de base de um dos principais clubes formadores do país.

Liderança no Tupi e campanha marcante na Copinha

Após a passagem pelo Fluminense, Pedro Romano recebeu a oportunidade de defender o Tupi no Campeonato Mineiro Sub-20, competição em que foi campeão do interior e vice-campeão mineiro, antes de disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Pelo Galo Carijó, o zagueiro assumiu papel de liderança no sistema defensivo e viveu um dos momentos mais simbólicos da carreira.

“É incrível disputar a Copinha. Jogadores jovens sempre têm o sonho de jogar esse campeonato e poder disputá-lo com o time da minha cidade foi algo incrível”, afirmou Pedro. O Tupi avançou até a terceira fase da competição, quando enfrentou o Athletico Paranaense. “Infelizmente tivemos uma derrota que eu considero injusta, mas só tenho que agradecer a Deus pela oportunidade.”

O zagueiro também destacou a importância do comando técnico no Tupi. “Toda equipe precisa de um comandante. O Wesley nos ajudou demais no Mineiro e na Copinha. Ele deixava tudo muito fácil pra gente, trazia todas as informações, e a gente só precisava jogar.”

Responsável direto pelo desenvolvimento do defensor naquele período, o técnico Wesley Assis destacou a evolução, a maturidade e o protagonismo assumido por Pedro ao longo do trabalho no clube. “O Pedro é um atleta muito dedicado, um zagueiro forte, rápido, muito bom no um contra um defensivo e na bola aérea. A gente trabalhou para dar a ele uma condição melhor de atuar com a bola no pé, porque sem a bola ele sempre foi um jogador de imposição física”, explicou.

FOTO: Arquivo Pessoal - Atletas do Tupi na Copinha

Segundo o treinador, o desempenho no dia a dia foi determinante para a consolidação do atleta entre os titulares. “Ele não era o zagueiro que a gente tinha imaginado inicialmente para começar o processo, mas dentro do dia a dia ele mostrou o valor dele. Carimbou a vaga entre os titulares com muito trabalho, dedicação e entrega”, afirmou Wesley.

O comandante também ressaltou o crescimento técnico e emocional do jogador ao longo da temporada. “Ele fez um Campeonato Mineiro muito bom, adquiriu maturidade e confiança que qualificaram o Pedro para chegar na Copinha em alto nível. Ele fez um jogo perfeito contra o Bahia e manteve o mesmo nível contra Primavera e XV de Piracicaba.”

Para Wesley, a ausência do zagueiro na eliminação para o Athletico Paranaense foi determinante. “Ele estava suspenso e fez muita falta. Tenho certeza que, com ele em campo, a gente não tomaria o segundo gol. Na Copinha, o Pedro assumiu um protagonismo muito interessante, dentro e fora de campo, sempre fomentando o espírito vencedor da equipe.”

O treinador reforçou a convicção no potencial do atleta. “Foi uma satisfação muito grande trabalhar com um jogador desse nível. Ele está fincando a bandeira dele no futebol com muito trabalho e conquistando o espaço dele. Tenho certeza que ainda vamos ouvir falar muito do Pedro”, concluiu.

Apesar da visibilidade da competição, Pedro pondera que a Copinha não se traduziu, de imediato, em novas oportunidades. “Não posso falar que a Copinha serviu, para mim, como vitrine, porque, infelizmente, logo após, não vieram muitas propostas dos clubes que eu esperava. Mas também não posso falar que foi uma frustração, porque disputar a Copinha com a equipe da minha cidade foi algo que ficou marcado pra mim”.

Desafios, experiências internacionais e afirmação como profissional

Na sequência da carreira, Pedro passou pelo Betim e, posteriormente, pelo Figueirense de São João del-Rei, onde disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro, período que antecedeu novos desafios profissionais. Os mais significativos ocorreram fora do país, na passagem pelo futebol português, experiências que foram decisivas para o amadurecimento profissional.

Defendendo o Futebol Clube de Oliveira do Hospital, na terceira divisão, Pedro disputou uma temporada completa e ganhou sequência como titular. “Disputei 32 jogos em uma temporada e conseguimos manter a equipe no campeonato. Foi um momento incrível para mim”, destacou.

O retorno ao Brasil trouxe obstáculos, incluindo uma passagem considerada difícil pelo Paysandu, superada com resiliência e apoio familiar. A retomada veio em 2025, ano que marcou a consolidação no futebol profissional. Pelo Gama, Pedro conquistou seu primeiro título como atleta profissional, o Candangão. “Foi um campeonato extraordinário. Esse é o meu primeiro no topo, em questão de felicidade e conquista”, afirmou.

FOTO: Arquivo Pessoal - Pedro com a taça de Campeão do Candangão com o Gama

Na sequência, já defendendo o Vila Nova, outro episódio simbólico reforçou essa afirmação no cenário nacional: O primeiro gol na Série B. “Foi um momento incrível na minha vida, que me consolidou no cenário brasileiro”, disse. As experiências vividas dentro e fora do país ajudaram a moldar o jogador que hoje se firmou como titular e peça importante do clube goiano.

2025: O ano da virada e da consolidação

O ano de 2025 é definido por Pedro Romano como um divisor de águas na carreira. “Foi o ano de milagres na minha vida”, resumiu. Além da conquista do Campeonato Candango com o Gama, o zagueiro foi eleito o melhor jogador da competição, marco que impulsionou sua retomada no cenário nacional.

Após o título estadual, Pedro viveu um período sem clube até aceitar o convite do Capital-DF. Pelo time brasiliense, realizou outro sonho profissional. “Joguei uma Copa do Brasil contra o Botafogo, no Engenhão.” O desempenho em campo abriu caminho para a chegada ao Vila Nova, etapa decisiva para a consolidação na Série B do Campeonato Brasileiro.

FOTO: Arquivo Pessoal - Pedro em ação em jogo válido pela Copa do Brasil contra o Botafogo no Engenhão

Sobre a negociação com o clube goiano, o defensor destacou a identificação imediata com o projeto. “Veio a proposta do Vila Nova e eu não pensei duas vezes em aceitar. É um clube que eu me identifiquei muito, com as pessoas que trabalham aqui. São pessoas muito sérias, do presidente aos funcionários, só tem gente de caráter aqui”, afirmou.

Pedro também ressaltou a relação construída com a torcida e o ambiente interno do clube. “Me identifiquei muito com o clube, com a torcida, e graças a Deus as coisas fecharam. 2025 foi um ano muito feliz para mim e para a minha família”, completou.

O bom desempenho resultou na renovação contratual para 2026, com a opção de compra exercida pelo Vila Nova. “Eu tive a oportunidade de estender o meu contrato e não pensei duas vezes em aceitar. Fiquei muito feliz com essa opção que o Vila tinha. As duas partes ficaram felizes com o acordo”.

FOTO: Arquivo Pessoal - em 2025, Pedro chegou ao Vila Nova-GO para a disputa da Série B

Olhar para o futuro

Projetando a sequência da carreira e a temporada de 2026, Pedro Romano mantém o discurso pautado em fé, trabalho e identificação com o Vila Nova. “Agora é continuar acreditando em Deus e trabalhando para que o ano de 2026 seja um ano igual e diferente para melhor que 2025. É continuar acreditando em Deus, deixar tudo nas mãos Dele”, afirmou.

Convicto de que o clube pode alcançar voos mais altos, o zagueiro reforça o comprometimento com o projeto. “Tenho certeza que as coisas vão acontecer para a minha vida e para esse clube, que é o Vila Nova, que merece estar em patamares maiores”, completou.

Encerrando, o juiz-forano reiterou o otimismo para a temporada. “Estou muito feliz aqui para o ano de 2026, que será um ano de muito sucesso. Em nome de Jesus”, concluiu.

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Arquivo Pessoal - Reprodução

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