(UOL/FOLHAPRESS) - Um dos líderes da oposição do São Paulo no Conselho Deliberativo, Caio Forjaz vê 'falência' da gestão de Julio Casares e caminho livre para impeachment após liminar mudar meio e quórum de votação.

ENTREVISTA COM CAIO FORJAZ

Conselheiro opositor ao presidente, Caio Forjaz concedeu entrevista ao UOL e avaliou o cenário para o grupo na votação de sexta-feira. Ele avalia que as antigas circunstâncias ?voto secreto, 100% presencial e quórum de 75% da Casa? dificultavam a destituição de Casares, mas entende que o novo cenário passa a ser muito mais promissor.

Totalmente presencial seria mais difícil. Como a gente conseguiu reverter a reunião para a votação híbrida, a chance de destituição é muito grande. nesta quarta-feira (14) até mesmo se considerássemos o quórum de três quartos, acredito que ele seria destituído. O correto sempre foi 2/3 e sempre a votação híbrida, uma vez que assim o estatuto dispõe. Mas, mesmo se por a caso eles conseguissem reverter para 190, eu acredito que no híbrido a gente consiga a destituição, com essa debandada dos partidos que eram da Coalizão Caio Forjaz, conselheiro de oposição do São Paulo

Como o UOL mostrou, Casares recorrerá da decisão e tentará readequar a reunião para o presencial e o quórum para 75% do Conselho.

O entendimento da oposição é que a 'zona cinza' do estatuto tricolor ?que traz dois artigos tratando da destituição do presidente com quóruns diferentes? não é tão ambígua assim. O principal ponto de argumento é o mérito do pedido de destituição:

Nosso pedido é geral, de 'falência política da gestão', e não por 'gestão temerária'. Por isso, deve ser 2/3. Para efeito de gestão temerária que seria o quórum maior (75%). Por isso que a gente entende que é descabido esse argumento do Olten Ayres. Na primeira convocação, ele já tinha acolhido a tese que nós encampamos, que é de dois terços, porque é o que o Estatuto expressa nesse sentido. Ele voltou atrás com o objetivo de proteger a gestão do Julio.

O UOL contatou o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, que ressaltando o que disse na entrevista coletiva concedida na última sexta-feira, afirmou ter agido de acordo com o Estatuto e negou favorecimento a Casares.

JUDICIALIZAÇÃO EM PAUTA

Forjaz explicou os passos da oposição, que conseguiu vitória na judicialização do tema.

No cenário de insatisfação de todos os conselheiros, o movimento tomou corpo e a vários conselheiros decidiram pela medida judicial por questão de legalidade e justiça, pois, além do indevido aumento do quórum, o presidente do deliberativo queria fugir do sistema de votação seja o híbrido, por ele implementado, e que sempre foi utilizado em todas as votações que o atual presidente do Conselho Deliberativo comandou. Inclusive em votações similares para punição de dirigentes.

O entendimento dos opositores, acatado pela juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível Regional, é não haver justificativa pela votação 100% presencial. Como o UOL revelou, o grupo vinha trabalhando em duas frentes: convencer a própria base a comparecer à votação e virar votos da situação.

Derrubamos a aposta do Olten, de manter no presencial para que alguns conselheiros sequer comparecessem, por medo de eventual retaliação e violência da torcida. Por isso, eu e tantos outros conselheiros entendemos que o sistema híbrido é o que assegurará alcançar a vontade geral da comunidade são-paulina, que é a destituição do Julio. No presencial, as chances seriam menores, mas nós continuaremos a tomar as medidas necessárias para manter a correta decisão da juíza da vara do Butantã, que foi pela votação híbrida, adotada na maioria absoluta das reuniões presididas pelo Olten.

E somos até entusiastas da reunião presencial, pois gera um debate mais franco, olho no olho, mas, nesse caso, a votação à distância é necessária pois muitas pessoas estão viajando. O sistema de votação nunca havia sido questionado pela sua segurança, inclusive do voto secreto, então não há razão para uma reunião presencial com duração de duas horas.

Temos muitos conselheiros idosos e temos que prezar pela integridade física de alguns conselheiros, já que devem ter protestos. Aliás, a última reunião do Conselho Deliberativo terminou mais cedo por receio de invasão ao Salão Nobre. Então, não faz sentido.

Olten Ayres reafirmou ao UOL que a defesa da votação 100% presencial se deve à alta sensibilidade do tema, para garantir maior controle e supervisão à votação e que, se optasse pelo modelo híbrido ou online, precisaria abrir o sigilo dos conselheiros no provável caso de contestação e, por conseguinte, recontagem dos votos.

Quem sentar nessa cadeira a partir do próximo mandato ?ou o vice-presidente mesmo, se assumir? terá uma das missões mais difíceis que um presidente do São Paulo já teve Caio Forjaz