SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Miguel Hidalgo, 25, estabeleceu a meta de tornar-se campeão mundial do triatlo nos próximos dois anos. O atleta vem de bons resultados e planeja chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, com moral, já coroado como o melhor de sua modalidade.

O Brasil não tem larga tradição nesse esporte, mas o paulista de Salto vê motivos para otimismo. Adepto do lema "treine não apenas com o objetivo de vencer, mas para ser capaz de dominar seus adversários", ele vem demonstrando uma constante evolução, foi no ano passado vice-campeão do mundo e quer mais.

"Tem um câncer no esporte brasileiro, que é a cobrança de humildade do atleta. Acho isso ridículo", disse, criticando o que chama de "síndrome de vira-lata".

Hidalgo tem no currículo a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023, em Santiago, onde encerrou um período de 12 anos sem brasileiros no topo da categoria masculina. No ano seguinte, esteve na briga por medalha até a reta final nos Jogos Olímpicos de Paris. O décimo lugar não era o que ele buscava, mas foi a melhor posição de um atleta do Brasil no triatlo olímpico.

Já em 2025, mais maduro e confiante, o saltense teve ótimo desempenho no circuito mundial. No caminho para o vice-campeonato, teve uma vitória dominante na etapa de Alghero, na Itália, um segundo lugar e dois terceiros.

"Fui segundo no campeonato mundial. Então, meu objetivo agora é ser campeão mundial. Quero muito ser campeão antes dos Jogos de Los Angeles, em 2026 ou 2027, para realmente chegar às Olimpíadas como alguém que não será surpresa nenhuma se for campeão olímpico", afirmou Hidalgo à reportagem.

Ele disse que seu maior objetivo como atleta é ter no peito a medalha de ouro daqui a dois anos e meio. "É o que me move a treinar todos os dias. Tudo o que faço é focando o que preciso para ser campeão em Los Angeles."

Hidalgo observou que vem gradualmente obtendo resultados melhores nas principais competições. Mas também reconheceu que, para chegar ao topo, a subida tende a ser mais íngreme.

"Esse passo do segundo para o primeiro lugar pode ser mais difícil do que do décimo até o segundo."

Para subir esse último degrau, o brasileiro vem dispensando especial atenção nos treinamentos à parte da corrida, trecho de 10 km que fecha a disputa nas Olimpíadas, após 1,5 km de natação e 40 km de ciclismo.

"A corrida talvez tenha se tornado a minha modalidade mais forte hoje", disse, acrescentando que, se conseguir ganhar cerca de 30 segundos na corrida até Los Angeles, terá chaces reais no pelotão da frente.

"Dependendo do que acontecer em Los Angeles, talvez nunca mais faça triatlo olímpico e foque outras provas, como o Ironman. Dependendo, vou para Brisbane [sede dos Jogos Olímpicos de 2032]."

O triatleta procurou tratar com naturalidade o sucesso recente. Segundo ele, por causa de todo o trabalho realizado ao lado do treinador Marcelo Ortiz, em uma parceria de uma década, os resultados não lhe causaram surpresa.

"Às vezes, as pessoas podem confundir com um pouco de arrogância, mas zero surpresa para mim. Sempre soube que chegaria a esse nível e sei que vou chegar a um nível mais alto ainda", afirmou Hidalgo, que começou a praticar o esporte na infância por influência do pai, triatleta amador.

"Confiança e arrogância são duas coisas muito diferentes. A humildade, na conotação do brasileiro, é a humildade errada, na minha opinião. A humildade, para mim, é você respeitar e estudar seus adversários, não subestimar ninguém, mas também ter autoconfiança e saber da sua capacidade."