RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Heitor Frank aproveitava alguns dias de férias quando, em um mercado em Búzios, Região dos Lagos do Rio, o porte físico chamou a atenção. Ele foi abordado e recebeu um convite: jogar vôlei. Agora, aos 25 anos, e com 2m, ele é reforço do Sesc Praia Botafogo para a temporada 2026.

Natural de Cuiabá, Mato Grosso, o atleta tinha 17 anos quando viajou para Cabo Frio, cidade na mesma região, com a mãe. Apesar do 1,96m de altura à época, até então o vôlei era algo fora de sua realidade.

"Eu estava em um mercado quando o Gilberto me abordou. Me perguntou se eu jogava vôlei, se tinha interesse, e me apresentou a um projeto em Cabo Frio", conta o atleta, que agora defende as cores do Botafogo.

Quem o abordou foi Gilberto Belo, técnico que até nesta sexta-feira (16) está no vôlei do Tijuca Tênis Clube. "Eu estou no vôlei há muitos anos, e no Tijuca há 30 anos. Às vezes, quando alguém na rua nos chama a atenção, abordamos, perguntamos se já pratica vôlei, essas coisas. Vi o Heitor em um supermercado em Búzios, nas minhas férias", lembra.

"Inicialmente, na conversa, deu-se a entender que era de Cabo Frio, e indicou que teria certa dificuldade para ir ao Rio. Mas para ele poder dar novos passos, indiquei, então, um projeto de vôlei de praia que tem em Cabo Frio, e acho que isso foi determinante", completou.

Naquele momento em que caminhava para a vida adulta, Heitor admite que ainda estava "sem muita perspectiva". Um tempo antes, tentou uma chance no futebol. Atuou nas categorias de base de um clube em Cuiabá, mas problemas financeiros fizeram a instituição fechar as portas e interromper a trajetória do então zagueiro.

O convite feito por Gilberto acendeu uma chama. Heitor chegou de volta à cidade natal, arrumou as coisas e foi para Cabo Frio para iniciar os treinos no CT ForteSports. Aos poucos, vieram os bons resultados e as medalhas.

"Eu vi uma oportunidade e quis abraçar. Minha família sempre me apoiou muito, acreditou no meu potencial, o que me tranquilizou também. Minha mãe, como tinha essa disponibilidade, veio para o Rio comigo, mas, após alguns poucos meses, precisou voltar. Ela sempre me ensinou a ser independente e sempre tive muita vontade de saber, aprender as coisas. Acho que isso ajudou a me virar aqui neste período", disse.

Posteriormente, Heitor foi para o Instituto Evokar. Ao lado de duplas com nomes como Tony Junior e Guto Carvalhaes, alcançou pódios no circuito nacional e em torneios internacionais.

A parceria com Vinicius Freitas começou em agosto de 2023, e eles finalizaram a última temporada ?

quando defenderam o Fluminense? no Top 5 no ranking nacional. Ambos foram apresentados pelo Sesc Botafogo Praia na última terça-feira.