RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Lucas Paquetá fez sua estreia pelo profissional do Flamengo em 2016, ano símbolo na história do Rubro-Negro: naquela temporada, deixou de ser deficitário e passou a ser superavitário. Uma década depois, o meia volta para casa como a maior contratação de todos os tempos do futebol brasileiro em um clube com receitas que ultrapassam os R$ 2 bilhões.

PAQUETÁ AJUDOU FLAMENGO A TRACIONAR RUMO AO BILHÃO E AOS TÍTULOS

Coincidentemente, Lucas Paquetá deu uma baita contribuição para o Flamengo ser o que é hoje. Dois anos após aquela estreia, em 2018, ele foi vendido ao Milan por 35 milhões de euros. O Rubro-Negro detinha 70% de seus direitos econômicos e ficou com cerca de R$ 100 milhões.

Um ano e cinco meses antes, seu amigo Vinícius Júnior, da mesma geração, já havia sido vendido ao Real Madrid por R$ 164 milhões.

O lucro obtido com as joias teve papel importante na montagem do elenco da temporada seguinte. Aquela que se tornaria uma das mais vitoriosas da história do clube: 2019, ano do título da Libertadores após 38 anos com uma dobradinha de título brasileiro também.

"Temos certeza que teremos um Flamengo mais forte ainda no ano que vem (2019). Todos os recursos da venda serão investidos no futebol. Vai nos ajudar ainda mais a brigar por títulos. Vamos fazer de tudo para que o Fla seja campeão de tudo", disse Bruno Spindel, então CEO do Flamengo, após a venda de Paquetá.

PAQUETÁ ESTREOU EM ANO QUE FLAMENGO SE TORNOU SOLVENTE

Paquetá acompanhou de perto o projeto de reconstrução do Flamengo. Ainda na base, viu o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello assumir a cadeira no fim de 2012 e adotar uma política de austeridade financeira, com foco total no pagamento de dívidas, corte de custos e obtenção de novas receitas.

Em 2016 -ano em que o meia estreou no profissional- o Rubro-Negro se tornou solvente após décadas. Ou seja, a receita anual do clube passou a ser superior à sua dívida acumulada.

Além disso, naquela temporada, o Flamengo já se aproximava de ser uma instituição com patrimônio líquido positivo. No primeiro ano de gestão, por exemplo, o Rubro-Negro tinha um negativo em torno de R$ 440 milhões, que foram reduzidos para cerca de R$ 95 milhões três anos depois.

"Para se ter uma ideia, em 2013, para cada R$ 1 que a gente recebia, a gente tinha que pagar mais de R$ 4 de dívida. Era uma situação de desespero. Hoje, para cada R$ 1 de receita, temos que pagar R$ 0,80 de dívida. Quer dizer, existe sobra real para se investir", afirma Cláudio Pracownik, vice de Finanças do Flamengo em 2016, ao site oficial do clube.

BANDEIRA, NA ÉPOCA, APÓS VENDER PAQUETÁ: 'AINDA É IMPOSSÍVEL COMPETIR COM OS GRANDES EUROPEUS'

Eduardo Bandeira de Mello e sua equipe pavimentaram o caminho para seus sucessores Rodolfo Landim e Luiz Eduardo Baptista navegarem por mares mais tranquilos. A curiosidade é que mesmo já ciente da revolução que acontecia no Flamengo, o ex-presidente - na ocasião da venda de Paquetá - dizia que ainda não era possível competir com os grandes europeus, algo que dez anos depois se concretizou justamente com o Rubro-Negro repatriando o meia por R$ 263 milhões, a maior contratação da história do futebol brasileiro.

Ainda é impossível a gente competir com os grandes clubes do mercado europeu, mas quem está acompanhando a evolução das finanças do Flamengo, pode ver que a gente chega láEduardo Bandeira de Mello, em 2018, após a venda de Paquetá

PAQUETÁ CHEGA HOJE E ASSINA POR CINCO ANOS

Lucas Paquetá desembarca no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (30), por volta das 12h, para realizar exames médicos e assinar contrato com o Flamengo por cinco anos. Uma festa está sendo preparada por clube e torcida para recepcionar o Garoto do Ninho que volta para casa.

O Rubro-Negro agora corre para regularizar o meia na CBF. Neste domingo, o Flamengo enfrenta o Corinthians pela decisão da Supercopa Rei, em Brasília (DF), e há uma esperança de que o atleta tenha condições de jogo. Nas últimas três partidas do West Ham ele ficou fora por conta de dores nas costas.