SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A divulgação de milhões de registros pelo Departamento de Justiça dos EUA, sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, revelou conexões profundas do escândalo com o mundo esportivo. Os documentos detalham comunicações, encontros e negociações que ocorreram mesmo após a condenação de Jeffrey Epstein em 2008.

EXECUTIVOS DO ESPORTE NO CENTRO DO 'ESCÂNDALO EPSTEIN'

A NFL analisa a conduta de Steve Tisch, coproprietário do New York Giants. O comissário Roger Goodell afirmou que a liga investigará o contexto das mensagens de 2013, nas quais Epstein organizava encontros para Tisch. Em nota, Tisch declarou que teve uma "breve associação" focada em "mulheres adultas, filmes e investimentos", afirmando lamentar profundamente o contato.

Casey Wasserman enfrenta pressões políticas por sua renúncia ao Comitê Organizador de Los Angeles 2028. Autoridades de LA, incluindo a supervisora Janice Hahn, pediram que ele deixe o cargo após a revelação de e-mails de teor sexual com Ghislaine Maxwell, em 2003. Maxwell foi condenada por recrutar, aliciar e preparar menores de idade para serem abusadas por Epstein e seus associados entre as décadas de 1990 e 2000. Em nota, Wasserman lamentou a correspondência de "duas décadas atrás" e negou ter tido qualquer relação comercial ou pessoal com o empresário.

REDE DE CONTATOS DO EMPRESÁRIO

Josh Harris manteve contato com Epstein anos após a condenação do financista. Registros mostram que o dono do Washington Commanders, da NFL, participou de um café da manhã em 2013 e trocou mensagens em 2016. Um dos porta-vozes de Harris afirmou que ele "nunca teve uma relação" com Epstein e que sempre buscou evitar reuniões ou desenvolver vínculos corporativos.

Todd Boehly, dono do Chelsea, teria se reunido com Epstein em 2011. Os e-mails sugerem que Epstein buscou uma introdução ao executivo, que na época geria a Guggenheim Partners, empresa de fundos de investimentos. Até o momento, nem Boehly nem o clube inglês se manifestaram sobre o teor dessas reuniões ou o objetivo dos encontros presenciais.

Figuras da Fórmula 1 também aparecem em registros de 2017. Jean Todt, ex-presidente da FIA, teria visitado a casa de Epstein em Nova York naquele ano. Flavio Briatore também é citado em comunicações de 2010 sobre a venda de uma propriedade. Ambos não se manifestaram até o momento.

OUTRAS MENÇÕES

Além dos contatos de Epstein, outros nomes aparecem nos documentos em contextos sociais, logísticos ou através de terceiros, sem indicar uma relação de proximidade.

Stephen Ross (Miami Dolphins, NFL): citado em 2017 por Andrew Farkas, que afirmou que Ross estaria disposto a investir US$ 100 milhões em um projeto ligado a Epstein. Ross não se posicionou sobre o caso.

Robert Kraft (New England Patriots, NFL): Epstein tentou intermediar a contratação de um advogado para Kraft em 2019. A equipe de Kraft sempre negou qualquer aceitação de auxílio ou relação direta com o financista.

Zygi Wilf (Minnesota Vikings, NFL): documentos de 2015 registram o interesse de Wilf em comprar a casa de Epstein em Paris. Não há registros de que ele tenha dado prosseguimento à compra ou mantido vínculo pessoal.

Dermot Desmond (Celtic): o acionista majoritário do clube escocês é mencionado em 2010 como um possível investidor para desenvolvimentos de campos de golfe.

Eddie Irvine (Ex-F1): o piloto admitiu ter frequentado festas de Epstein e Maxwell, mas afirmou que eram "apenas jantares normais". Ele declarou que encontrou Virginia Giuffre em alguns eventos, mas presumiu que ela fosse maior de idade. Giuffre foi uma das principais denunciantes de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Suas acusações foram fundamentais para que ambos fossem condenados por crimes sexuais.

Atletas (Manning, Smith e Sosa): Peyton Manning, ex-quarterback, e Geno Smith, que disputa a NFL pelo Las Vegas Raiders, aparecem apenas em recibos de compra de camisas oficiais. Sammy Sosa, ex-jogador de beisebol, é listado como convidado em uma festa nos Hamptons, sem registros de diálogos diretos.