SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O esquiador Lucas Pinheiro Braathen, 25, fez história neste sábado (14) a conquistar a primeira medalha para o Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Norueguês naturalizado brasileiro, Lucas liderou a prova do slalom gigante no esqui alpino, disputada na região de Bormio, no norte da Itália, desbancando favoritos para levar o ouro nas Olimpíadas de Milão-Cortina.

Escolhido por sorteio como o primeiro atleta da bateria a descer a montanha coberta de neve em alta velocidade contornando uma série de "portas", Braathen conseguiu o melhor tempo logo na primeira descida, com a marca de 1min13s92. Com a vantagem, voltou para a segunda e última descida e fez 1min11s08, chegando ao melhor tempo combinado entre todos os competidores de 2min25s.

O segundo melhor tempo foi do suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em Pequim-2022, tetracampeão da Copa do Mundo e um dos favoritos, com os tempos de 1min14s87 e 1min10s71, para um combinado de 2min25s58. Também da Suíça, Loic Meillard completou o pódio, com 1min15s49 e 1min10s68, somando 2min26s17.

Dos 15 primeiros colocados, Lucas era o único atleta de fora da Europa.

Outro brasileiro na disputa, Giovanni Ongaro terminou na 31ª colocação, com tempo de 1min19s95 na primeira descida e de 1min14s20 na segunda, para um total de 2min34s15.

O melhor resultado do Brasil em uma edição dos Jogos de Inverno até então havia sido a nona colocação de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006.

Com a conquista, o Brasil assumiu temporariamente a 15ª posição no ranking geral de medalhas, à frente de países com mais tradição em esportes na neve, como Canadá e China. A Noruega lidera com 20 medalhas, dez de ouro.

Nascido em Olso, o esquiador filho de pai norueguês e mãe brasileira começou a carreira competindo pela Noruega, quando chegou a se sagrar campeão da Copa do Mundo de esqui alpino, na categoria slalom ?as principais diferenças em relação ao slalom gigante são a distância entre as portas que os atletas precisam passar ao longo do percurso e a velocidade que alcançam durante a descida.

Apenas sete meses após a conquista, surpreendeu o mundo ao anunciar a aposentadoria precoce do esporte, devido a desentendimentos com a federação norueguesa sobre a condução de sua carreira.

Pouco depois, em outubro de 2024, anunciou que passaria a competir com as cores do Brasil, tornando-se rapidamente a maior esperança de medalhas para o país nos Jogos de Inverno.

Em dezembro de 2024, ele foi o responsável por conquistar a primeira medalha do país em uma etapa da Copa do Mundo de esqui alpino, ficando com a prata em Beaver Creek, nos Estados Unidos.

Desde então, conquistou mais nove pódios em etapas da Copa do Mundo, incluindo o ouro no slalom em prova realizada na Finlândia, em novembro do ano passado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a vitória de Lucas em publicação nas redes sociais.

"O resultado inédito mostra que o esporte brasileiro não tem limites. É o reflexo de talento, dedicação e do trabalho contínuo de fortalecimento do esporte em todas as suas dimensões", escreveu o presidente.

O esquiador volta a competir nos Jogos de Inverno na segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), na prova do slalom do esqui alpino, chegando à disputa com moral e como um dos favoritos ao pódio.