SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A decisão da Federação Internacional de Surf (ISA) de alterar o sistema de classificação olímpica da modalidade para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 provocou forte reação entre atletas da elite mundial, especialmente nomes do Circuito Mundial da World Surf League (WSL).

Nas últimas horas, diversos surfistas usaram as redes sociais para criticar publicamente o novo modelo, apontando falta de diálogo, desrespeito e riscos esportivos na mudança.

Entre os brasileiros, o posicionamento mais contundente veio do atual campeão mundial, Yago Dora, que classificou a condução do processo como desrespeitosa.

Segundo ele, houve "completo desrespeito na forma como tudo foi conduzido", algo que considera "triste para o esporte e para as futuras gerações de surfistas". O brasileiro também reforçou que a discussão não se trata de uma disputa política entre entidades.

"As pessoas não estão entendendo que isso não é WSL contra ISA. É a ISA impondo um sistema de classificação injusto para os melhores surfistas de competição do mundo. A WSL sempre foi a plataforma do melhor surfe competitivo, e essa decisão afeta muito mais nós, surfistas, do que a própria liga. Não é à toa que praticamente todos os melhores do mundo estão contra. Os Jogos Olímpicos só perdem com isso", disse Yago Dora.

O bicampeão mundial Filipe Toledo também criticou a condução das negociações, afirmando que o mais preocupante foi a maneira como a situação foi administrada pela entidade internacional.

"Uau! E o pior foi a maneira como toda essa situação foi conduzida por vocês!", disse Filipe Toledo.

Outro brasileiro da elite, João Chumbinho afirmou ser "triste" ver a decisão e acusou a ISA de agir sem transparência com os atletas do Circuito Mundial.

"É louco ver que vocês sempre agem pelas nossas costas e criaram um sistema de classificação extremamente injusto, sem respeitar nossas opiniões e administrando essa oportunidade olímpica muito mal", disse João Chumbinho.

As críticas não ficaram restritas aos brasileiros. A campeã mundial Caitlin Simmers reagiu com emojis de reprovação, enquanto a brasileira Luana Silva foi direta: "Não concordamos com esse sistema."

O italiano Leonardo Fioravanti publicou uma das manifestações mais detalhadas, lembrando que o modelo usado nas duas últimas Olimpíadas funcionou bem e garantia a presença dos melhores atletas do mundo.

"Discordo completamente desse sistema. Ter dez surfistas (homens) do Championship Tour era a melhor forma de garantir que os melhores estivessem nas Olimpíadas. Agora, o campeão mundial de 2027 pode nem competir nos Jogos. Tentamos conversar com a ISA para encontrar uma solução, mas não houve abertura", disse Leonardo Fioravanti.

Já a canadense Erin Brooks, fenômeno da nova geração, destacou que a essência do surfe competitivo é a consistência ao longo de uma temporada ? algo que, segundo ela, acontece no Circuito Mundial e deveria ter maior peso na classificação olímpica.

Por fim, a norte-americana Lakey Peterson afirmou que a decisão demonstra "total desrespeito" com os atletas e revelou que surfistas tentaram reuniões com a ISA diversas vezes, sem sucesso.

"Vocês tomaram essa decisão sem conversar conosco, mesmo após várias tentativas de diálogo. Isso é muito ruim para os surfistas, para o esporte e até para as Olimpíadas", disse Lakey Peterson.

A MUDANÇA

O novo sistema divulgado pela ISA reduz o número de vagas olímpicas definidas diretamente pelo ranking da WSL e aumenta o peso de competições organizadas pela própria federação internacional, especialmente os ISA World Surfing Games.

A proposta também inclui vagas continentais e classificações distribuídas ao longo de diferentes eventos entre 2026 e 2028.