SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte publicaram nota conjunta neste sábado (21) em que "reepudiaram veementemente" a homenagem feita por jogadores do Vasco-AC a três atletas do time presos, acusados de estupro contra duas mulheres no alojamento do clube.
Na partida pela primeira rodada da Copa do Brasil contra o Velo Clube, na quinta-feira (19), os jogadores do time acriano posaram exibindo camisas com os nomes dos atletas investigados.
Entre os jogadores do Vasco-AC que participaram da homenagem, estava o goleiro Bruno, ex-Flamengo, condenado pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio.
"Os ministérios manifestam solidariedade às vítimas e reafirmam confiança na atuação célere e transparente da Justiça, com respeito ao devido processo legal. É inaceitável que o esporte , espaço de formação e inspiração para a juventude, seja utilizado para naturalizar ou relativizar a violência contra a mulher", assinalaram em comunicado.
"O governo do Brasil reafirma seu compromisso inegociável com o enfrentamento firme e coordenado de todas as formas de violência contra meninas e mulheres, com políticas públicas que promovam ambientes seguros, justos e livres de violência", acrescentaram.
Os jogadores Brian Peixoto, Alex Pires e Matheus Azeredo, do Vasco-AC, tiveram a prisão temporária mantida pela Justiça após audiência de custódia na terça-feira (17).
Ao portal g1, o advogado Atevaldo Santana afirmou que os jogadores negam as acusações e sustentam que a relação foi consensual. Segundo ele, todos são réus primários, maiores de idade e sem antecedentes criminais.
A denúncia foi registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Em nota, o Vasco do Acre informou que adotou medidas administrativas internas para apurar o caso e que está à disposição das autoridades.
Na partida pela Copa do Brasil, o Vasco-AC acabou eliminado nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.
Bruno chegou a defender duas cobranças e converteu seu chute, mas não evitou a queda do time acriano.
O goleiro foi condenado pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, com quem teve um filho, Bruninho Samudio --hoje goleiro das categorias de base do Botafogo.
Em setembro de 2020, Bruno foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Posteriormente, conseguiu liminar que autorizou a retirada do equipamento durante treinos e jogos.
Preso em 2013, três anos após o crime, ele progrediu para o regime semiaberto em 2019 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023.