SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Técnico do Lyon, o português Paulo Fonseca criticou Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Gianni Infantino, mandatário da Fifa e lamentou que a Copa do Mundo deste ano aconteça no EUA.

Fonseca reprovou as recentes falas de Infantino sobre o fim do banimento à Rússia em competições esportivas, que acontece desde 2022, em resposta a invasão russa à Ucrânia. O treinador é casado com uma ucraniana e morou no país quando comandou o Shakhtar Donetsk (2016 a 2019).

"Vamos jogar contra a Rússia em Moscou enquanto os ucranianos não podem jogar no seu território? O país que é invadido não pode disputar as competições europeias em casa e a Rússia poderia? Para mim, é inaceitável. O presidente Infantino faz o mesmo que o presidente Trump. Olha para os interesses econômicos e se esquece das pessoas", disse o Lyon ao jornal francês L'Equippe.

O treinador criticou Donald Trump por "ignorar os mais desfavorecidos". Além disso, Fonseca acredita que a situação na Ucrânia piorou desde que o Trump assumiu a presidência dos EUA.

"Desde que Trump voltou ao poder e prometeu uma paz rápida, a situação [na Ucrânia] piorou muito. Todos os dias, centenas de drones, dezenas de mísseis, caem. Os Estados Unidos enfraqueceram a posição da Ucrânia e da União Europeia. E isso tornou a vida ainda mais difícil para os ucranianos.

A posição do presidente americano tem sido a de esquecer, de ignorar os mais desfavorecidos, os mais fracos, e de priorizar seus interesses econômicos. Trump não pensou nas pessoas. Ele pensou no dinheiro. Não sei se o futebol é a melhor forma de protestar contra isso, mas há coisas que são inaceitáveis para mim", falou.

O português, inclusive, lamentou que a Copa do Mundo deste ano tenha os Estados Unidos como uma das sedes. Canadá e México também receberão jogos do Mundial.

A verdade é que nós, que amamos o futebol, gostaríamos que o Mundial se realizasse noutro lugar, e não nos Estados Unidos, não neste momento.