(UOL/FOLHAPRESS) - O clima no vestiário do São Paulo após a eliminação para o Palmeiras foi de tristeza e frustração pelo resultado, mas também de orgulho pela evolução apresentada pelo grupo ao longo da competição. Internamente, o discurso foi de reconhecer os erros e evitar que a queda contaminasse o trabalho desenvolvido até aqui.

Fontes ouvidas pela reportagem relatam que o grupo queria muito a conquista do estadual como forma de "dar uma resposta" a tudo que enfrentou nas últimas semanas. Entre problemas extracampo e projeções que colocavam o São Paulo como possível rebaixado no Paulista, a leitura interna é que os jogadores transformaram o cenário de desconfiança em campanha competitiva, tornando a disputa pelo título uma possibilidade concreta.

Um dos principais líderes do vestiário, o atacante Lucas Moura apontou a superação como o principal saldo da equipe na disputa do Paulista:

"A gente terminou o ano de uma maneira muito conturbada e começou o ano também de maneira turbulenta ali, com tudo que aconteceu e a gente oscilando bastante. No jogo contra o Primavera, a gente tava brigando pra classificar e pra não cair, e todo mundo apontando a gente como possível rebaixado. A gente conseguiu superar e conseguiu classificar. Ganhamos um jogo dificílimo contra o Bragantino fora de casa, que a gente não vencia desde 2019. Chegamos numa semifinal com muita superação, então acho que é isso que a gente tira de positivo. Chegamos numa semifinal, enfrentamos um grande adversário, jogamos de igual pra igual, não conseguimos? agora é batalhar mais, trabalhar mais. Acho que o time vem numa sequência boa no Campeonato Brasileiro, tem muita coisa pela frente. É continuar trabalhando pra que a gente possa conquistar coisas grandes", afirmou o camisa 7.

DIRETORIA RESPALDOU ELENCO

Executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa falou após a partida e destacou que a invencibilidade de oito jogos interrompida na derrota era circunstancial, e que o foco deve estar na continuidade do trabalho dentro do grupo:

"A invencibilidade um dia terminaria. Terminou nesta segunda-feira (2), de uma maneira dura, contra um adversário que nós sempre queremos muito superar, numa competição, repito, que nós queríamos muito vencer em nome do nosso torcedor. A invencibilidade é um dado de realidade que não pode servir para que nós baixemos a guarda ou diminuamos o nosso empenho, compromisso, e foi isso que nós falamos no vestiário agora quando fechamos. Todos nós falamos. O presidente falou, o Hernán falou, os atletas falaram, eu falei, porque é exatamente neste momento de dor, neste momento de frustração absoluta nossa, que nós temos que reconhecer aquilo que tá sendo feito de forma correta e aquilo que precisa evoluir. Nós erramos em alguns momentos do jogo, e neste tipo de jogo esses erros são fatais. Mas o trabalho que vem sendo desenvolvido, o comprometimento dos atletas, daqueles que estão aqui, aqueles que estão chegando e que rapidamente se integram ao processo de desenvolvimento tático que o Hernán vem propondo a eles, isso tem sido feito de forma muito competente. E é isso que faz com que nós acreditemos que a dor desta segunda-feira (2) pode nos colocar num caminho de conquistar algo importante esse ano pro nosso torcedor e pra todos nós", disse Rui.

CRESPO ELOGIOU O GRUPO

Na entrevista coletiva, o técnico Hernán Crespo reforçou o discurso de virada de chave, valorizou a trajetória na competição e evitou falar de erros individuais:

"É valorizar o que fizemos até aqui. Estamos tristes, ninguém gosta de perder. Essa competição me deu um grupo muito unido e recuperamos jogadores como Calleri, Lucas, Enzo, André Silva. O caminho é muito positivo. Todos sabem o que o São Paulo vai fazer e brigar. O resultado não é legal, mas o percurso feito foi legal. Vamos ter 12 dias para recuperar forças, para curar a ferida e continuar. Temos Chapecoense, Atlético-MG, Bragantino e Palmeiras. No Brasileirão estamos bem e temos que continuar. Acreditar no trabalho que fazemos todos os dias. Tentar fazer passar essa tristeza, sabendo que fizemos um trabalho muito importante e recuperamos jogadores", disse o treinador.

A mensagem interna, portanto, é de absorver a dor da eliminação, corrigir as falhas apontadas no clássico e manter o nível de competitividade para a sequência da temporada. Evitando o sentimento de terra arrasada no vestiário, diretoria e comissão técnica do São Paulo buscam transformar a eliminação em combustível para o grupo, com esperança de uma temporada mais tranquila superando o caos extracampo.