SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Há exatos dois anos, no dia 7 de março de 2024, Lucas Pinheiro Braathen anunciou que estava voltando da aposentadoria e não competiria mais pela Noruega, mas pelo Brasil, país natal de sua mãe. Neste sábado (7), conquistou o 2º ouro do Brasil na Copa do Mundo de Esqui Alpino.

Lucas foi campeão do mundo pela Noruega em 2023, mas deu anunciou uma aposentadoria precoce no esqui alpino, com apenas 23 anos. Menos de cinco meses depois, ele retornou ao esporte que tanto ama para competir representando a bandeira de sua mãe.

"Só gratidão olhando para trás, esses dois anos foram uma jornada incrível, com muita insegurança. Muitos momentos lindos também, mas hoje estamos competindo, vencendo uma prova da Copa do Mundo. E sinto que nunca teria conseguido se não fosse por todos os altos e baixos que me trouxeram até aqui", disse Lucas Pinheiro Braathen, após vitória em etapa da Copa do Mundo de Esqui Alpino

Depois de vencer em Kranjska Gora, na Eslovênia, neste sábado (7), Lucas afirmou que tem tentado curtir o bom momento. "A única coisa que tenho tentado fazer desde as Olimpíadas é aproveitar" disse o brasileiro.

Ele também ressaltou que quer continuar esquiando com o coração. "Muita coisa em jogo, estou lutando por vários títulos. Só estou tentando não fazer disso um grande problema, esquiar com leveza, com o coração. E estou muito orgulhoso da vitória de hoje", completou.

Troca veio após atritos com a confederação norueguesa

"Muitos estranharam, afinal eu era muito novo e ainda tinha muito a fazer pelo esqui. Voltei atrás cinco meses depois, quando um caminho singular surgiu: defender as cores do Brasil, o país da minha mãe. Era a chance de escrever uma história e levar a bandeira das minhas origens ao topo do esporte de inverno", disse, ao UOL, em 2024.

Lucas teve atritos com a confederação norueguesa que cuida do esqui alpino, principalmente por uma questão comercial -ele chegou a ser multado após participar de uma peça publicitária de uma marca sem autorização. Parcerias individuais eram limitadas diante de rígidas diretrizes da entidade, e a maioria dos patrocínios estavam atrelados à confederação. O atleta já estava sob um contrato volumoso com a Red Bull.

As arestas na relação passaram a aparecer e se tornaram um ingrediente considerável para o fim.

"O vazio no meu coração após o título se uniu à insatisfação com a federação norueguesa de esqui. Não me sentia livre e decidi largar o esporte em outubro de 2023 para abraçar minhas outras paixões: música, arte, moda. Cinco meses depois, a chance de defender as cores da bandeira brasileira apareceu. Não pensei duas vezes. Agora, vou poder aparecer nas páginas dos jornais brasileiros e meu vovô Alberto e minha vovó Marcia vão poder celebrar o neto deles", revelou Lucas, ao UOL

O Brasil não poderia colocar à mesa grandes recursos financeiros, mas podia oferecer a independência que Lucas procurava, e um planejamento para que ele pudesse se manter na briga pelos pódios.

A troca de nacionalidade gerou uma relação de via de mão dupla. O atleta poderia respirar novos ares e assinar contratos sem as amarras da Confederação Brasileira de Desporto na Neve, e o Brasil ganhava um nome para brigar na ponta e desenvolver um esporte sem tradição em um país tropical.