RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O Flamengo venceu o Fluminense nos pênaltis e conquistou o título de campeão do Carioca 2026. Depois do 0 a 0 nos 90 minutos, o duelo no Maracanã teve Rossi como herói na vitória por 5 a 4 nas penalidades.

Ao todo, o Flamengo conquistou o Carioca pela 40ª vez, disparado o maior vencedor no Rio -quem chega mais perto é o próprio Fluminense, com 33 títulos.

Pela sétima vez, o Flamengo fatura um tricampeonato em sequência no estadual. O time já tinha levantado a taça em 2024 e 2025, completando agora a coleção com mais um troféu local.

O Carioca serve para amenizar a crise no atual campeão da Libertadores, que já tinha perdido a Supercopa e a Recopa neste ano.

O jogo marcou a estreia, já com taça, do técnico português Leonardo Jardim, substituto de Filipe Luís depois da demissão do antecessor multicampeão durante a semana.

O título estadual veio em um campeonato no qual o Flamengo flertou com a eliminação na fase de grupos, já que começou a competição com o time sub-20. Quando o calo apertou, a diretoria mudou o planejamento, antecipou a volta dos titulares e aí veio a classificação para o mata-mata.

Em contraste, o Fluminense teve a melhor campanha na Taça Guanabara, mas parou no rival na primeira edição do Carioca com final em jogo único.

O Flamengo agora volta a campo na quarta-feira, pelo Brasileirão, também no Maracanã. O duelo é com o Cruzeiro, também campeão estadual.

Já o Fluminense viaja a Belém para encarar o Remo, no Mangueirão, quinta-feira.

SINAIS DE FILIPE LUÍS?

Na arquibancada, a torcida não se esqueceu completamente de Filipe Luís. A saudade, para alguns, ainda é recente. Tanto que uma organizada levou para o jogo uma bandeira com o rosto do técnico.

No papel e em muitos comportamentos do time, o Flamengo de Leonardo Jardim se pareceu muito com o de Filipe Luís.

Também pudera. Não seria de terça a domingo que o time já tomaria uma cara diferente, até pelas características dos jogadores.

O português optou por escalar uma formação com Arrascaeta e Pedro na frente, tendo Carrascal e Samuel Lino abertos nas pontas.

A dinâmica de jogo do Flamengo com e sem a bola foi um espelho do que se viu anteriormente. Para atacar, Varela chegava à última linha, formando um 3-2-5.

Em geral, o Flamengo foi quem controlou as ações. Mas com a marcação tricolor bem fechada, o jogo se concentrou entre a linha do meio-campo e a entrada da área do Fluminense -com raras estocadas do time de Zubeldía em velocidade, mas a defesa do Flamengo estava bem postada.

Pedro foi quem teve a melhor chance do time de Jardim no primeiro tempo, mas uma bola facilmente defendida por Fábio. Do outro lado, tentativas sem direção.

TENSÃO AUMENTA

O Fluminense tratou de tentar uma pressão maior no começo do segundo tempo. Tanto que conseguiu a melhor chance de gol até ali. Rossi fez ótima defesa na batida de Lucho Acosta.

A tentativa de resposta do Flamengo não foi tão efetiva, com um roteiro que forçou Leonardo Jardim a fazer as primeiras substituições. Sacou Carrascal e Samuel Lino, colocou Paquetá e Cebolinha, já aos 19 minutos da etapa final.

Detalhe: Paquetá não entrou como segundo atacante, mas como meia aberto pela direita.

Em um período do jogo em que o clássico ficou mais brigado, o Fluminense ficou mais próximo do gol. Rondava a área como podia, pressionava na frente e tinha chutes de longe e bolas aéreas a seu favor. A torcida do Fluminense até passou a pedir Savarino para dar um toque a mais de qualidade.

Leonardo Jardim foi além. Tirou Pedro e colocou Plata, aos 28 minutos. Mais uma solução típica de Filipe Luís. Até porque Bruno Henrique nem relacionado foi, devido a uma pubalgia.

Só depois disso que o Fluminense fez suas primeiras trocas: Serna, Renê e Samuel Xavier saíram para entradas de Guga, Arana e Savarino. Ou seja, fôlego renovado para marcar as jogadas do Flamengo pelo lado.

Já aos 40, como a final encaminhando-se para as penalidades, as últimas trocas dos dois lados: Arrascaeta deu lugar a Luiz Araújo, enquanto Ganso e Otávio substituíram Acosta e Hércules.

O árbitro Bruno Arleu ainda foi para lá de econômico: só dois minutos de acréscimo. Aí, não teve jeito. Partiu penalidades.

E NOS PÊNALTIS?

Jorginho e Ganso bateram bem, converteram para os dois lados. Mas Luiz Araújo parou na defesa de Fábio. Como Savarino converteu a batida dele, o Fluminense ficou em vantagem.

Cebolinha manteve o Flamengo na disputa. E aí apareceu Rossi para defender o dele, parando a cobrança de Guga.

Léo Pereira acertou a batida. Guilherme Arana também. Disputa empatada. Aí, Paquetá, com o quinto pênalti, quase perdeu, mas fez. Fábio chegou a tocar na bola. John Kennedy acertou e levou as cobranças para as alternadas.

Léo Ortiz converteu. Mas Otávio parou em Rossi. O Flamengo foi campeão.

FLUMINENSE

Fábio, Samuel Xavier (Guga), Jemmes, Freytes e Renê (Guilherme Arana); Martinelli, Hércules (Otávio), Martinelli e Lucho Acosta (Ganso); Serna (Savarino), Canobbio e John Kennedy. Técnico: Luís Zubeldía

FLAMENGO

Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho, Arrascaeta (Luiz Araújo); Carrascal (Paquetá), Samuel Lino (Cebolinha) e Pedro. Técnico: Leonardo Jardim

Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Bruno Arleu (Fifa-RJ)

Assistentes: Luiz Claudio Regazone e Thiago Filemon Soares Pinto

Cartões amarelos: Renê, Serna, Lucho Acosta, Canobbio (FLU); Samuel Lino, Jorginho (FLA)

Público/Renda: 62.985 pagantes / R$ 5.270.903,50