RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Ex-presidente e ex-diretor executivo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Luiz Fernando Coelho permanece ligado à entidade, mas atuando como "conselheiro institucional".
Coelho tem como papel principal a "responsabilidade pelo acompanhamento e desenvolvimento da confederação no âmbito do Programa GET, do Comitê Olímpico do Brasil (COB)", segundo explicação da própria CBDA.
Coelho foi exonerado do cargo de diretor executivo em agosto do ano passado, após sete meses na função. Na ocasião da saída, a cúpula da confederação recebeu alguns questionamentos sobre o tema e apontou que a manobra era devido a um entendimento do Ministério do Esporte, que entendia que o cargo pertencia à linha sucessória da entidade e poderia ser uma forma de burlar o veto a um terceiro mandato.
À época, a CBDA buscava se enquadrar às exigências previstas nos artigos 18 e 18-A da Lei 9615/98 da Lei Pelé para poder receber recursos públicos novamente. Em setembro, a entidade anunciou que havia recuperado as certidões necessárias. "A atual administração trabalhou de forma contínua para sanar pendências, reorganizar processos internos e garantir maior transparência administrativa", diz trecho da nota publicada.
Luiz Fernando Coelho havia assumido como diretor em janeiro, e o texto da CBDA apontava que tinha sido um convite da gestão atual em conjunto com o COB. "Agora, ele volta para trabalhar pelos esportes aquáticos do Brasil a convite do presidente Diego Albuquerque em conjunto com a nova presidência do Comitê Olímpico do Brasil", apontou trecho do texto publicado no site oficial da confederação.
Um dos integrantes do Conselho de Administração, em uma mensagem em um grupo de WhatsApp à qual o UOL teve acesso, chegou a perguntar: "Tem um questionamento que até neste domingo (15) não foi respondido. Onde está a solicitação do COB pedindo que o Coelho fosse o CEO?".
Até dezembro do ano passado, o salário foi pago "através de uma parceria estratégica com o Comitê Olímpico, por entender o processo de transição da entidade".
A partir deste ano, a remuneração passou a ser responsabilidade da CBDA, através de recursos da Lei Agnelo Piva ?que destina parte da arrecadação bruta das loterias federais ao Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro, e os valores são repassados às confederações. Segundo o UOL apurou, os vencimentos vão girar na casa dos R$ 10 mil.
Luiz Fernando Coelho foi eleito vice-presidente da CBDA em 2017. Em 2019, com a destituição de Miguel Cagnoni, assumiu a presidência da entidade, foi reeleito e encerrou o mandato em novembro de 2024. No pleito mais recente, apoiou a chapa encabeçada por Diego Albuquerque ?então Federação Baiana de Desportos Aquáticos (FBDA)?, que venceu a votação.
Procurado pela reportagem, Coelho enviou a nota da CBDA, que pode ser conferida na íntegra ao fim deste texto. "Desde o ano passado, exerce um papel fundamental principalmente no Programa GET, visto que a CBDA, em 2025, teve sua melhor nota na história", diz.
O UOL também entrou em contato com o COB, uma vez que os recursos utilizados até dezembro tinham sido de um convênio com a entidade, mas a resposta foi de que "Luiz Fernando Coelho não presta serviços ao COB".
RECURSOS PÚBLICOS
A CBDA obteve as certidões necessárias depois de ficar restrita por dois ciclos olímpicos, após o escândalo que levou o ex-presidente Coaracy Nunes à cadeia. A prisão aconteceu no decorrer da "Águas claras", operação da Polícia Federal em parceria como o Ministério Público Federal, e com a participação da Controladoria-Geral da União. A investigação apontou um esquema de desvios de recursos públicos repassados ao órgão.
Em março do ano passado, Marco La Porta, presidente do COB, indicou que a entidade emprestaria dinheiro às confederações para que pudessem regularizar a respectivas situações e regularizarem a situação. "Vamos resolver, cada um vendo cada dívida que eles têm, e o próprio COB vai ajudar em forma de empréstimo para que possam seguir. Não será dinheiro na mão. [Os valores] Vão estar em torno de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões, porque vai ter mais umas cinco que estão com problemas também. Temos de ajudar", disse, durante participação no CBC Expo.
VEJA NOTA DA CBDA
"A CBDA esclarece que Luiz Fernando Coelho, ex-presidente da entidade, atua atualmente como conselheiro institucional, com responsabilidade pelo acompanhamento e desenvolvimento da confederação no âmbito do Programa GET, do Comitê Olímpico do Brasil (COB). O vínculo permanece vigente, sem prazo previamente determinado.
O profissional presidiu a CBDA entre 2019 e 2024 e deixou o cargo de diretor executivo em 29 de agosto, função que exerceu por sete meses.
Até dezembro de 2025, a remuneração do profissional foi feita através de uma parceria estratégica com o Comitê Olímpico, por entender o processo de transição da entidade, já que, naquele momento, a CBDA passara a receber recursos públicos da Lei Piva e essa adaptação precisava de uma atenção especial.
Para 2026, a remuneração de Luiz Fernando Coelho será custeada pela Lei Piva, já sob tutela e responsabilidade da CBDA.
Vale ressaltar que Luiz Fernando Coelho, além de ter sido presidente da CBDA, da Confederação Sul-Americana de Natação e ter feito parte do Bureau da World Aquatics, possui duas graduações, três pós-graduações e, desde o ano passado, exerce um papel fundamental principalmente no Programa GET, visto que a CBDA, em 2025, teve sua melhor nota na história".