SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Embora Carlo Ancelotti tenha enfrentado baixas em quase todas as posições antes de fechar a lista para os amistosos contra a França e a Croácia, nos dias 26 e 31 de março, os desfalques no meio-campo e, sobretudo, nas laterais são os que mais preocupam o treinador.

O técnico aponta esses setores como os mais carentes da seleção brasileira neste momento, com menos opções consolidadas em comparação com o ataque, onde a concorrência por vagas é maior.

A própria lista divulgada nesta segunda-feira (16) mostra que o comandante ampliou seu leque ofensivo com a possibilidade de observar os jovens atacantes Endrick (Lyon), 19, Rayan (Bournemouth), 19, e Igor Thiago (Brentford), 24.

Em alta física e tecnicamente, o trio reúne os dois quesitos fundamentais definidos pelo treinador italiano para convocar um jogador. Esse é também o motivo pelo qual Neymar foi novamente preterido, já que, segundo Ancelotti, ele ainda não está 100% fisicamente.

As lesões são outro problema físico que deixa o comandante em alerta. Algumas baixas para esta Data Fifa eram esperadas, como as do zagueiro Éder Militão e do volante Bruno Guimarães. Mas, recentemente, a lista de atletas machucados foi ampliada com os laterais Caio Henrique e Vanderson, além do atacante Rodrygo, este último já fora da Copa do Mundo após sofrer uma grave lesão no joelho direito.

Foi por isso que, em vez de apresentar uma lista muito próxima daquela que será divulgada no dia 18 de maio, com os nomes que vão representar o Brasil no Mundial, Ancelotti decidiu usar sua última janela de testes para ampliar suas observações.

Além do trio ofensivo, também foram chamados pela primeira vez pelo italiano os defensores Bremer (Juventus), Ibañez (Al Ahli) e Léo Pereira (Flamengo), além dos meio-campistas Danilo (Botafogo) e Gabriel Sara (Galatasaray).

O treinador deverá levar nove defensores para a Copa do Mundo, sendo quatro laterais e cinco zagueiros. A ideia da comissão técnica é fechar a lista com nomes que possam se revezar entre os dois setores em caso de necessidade ao longo da competição.

Na convocação para os amistosos contra França e Croácia, são quatro laterais: Alex Sandro (Flamengo), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit) e Wesley (Roma). E cinco zagueiros: Bremer, Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez, Léo Pereira e Marquinhos (PSG).

Apesar de dar oportunidade a jogadores com os quais ainda não havia trabalhado na seleção, Ancelotti voltou a afirmar que já tem 17 ou 18 jogadores definidos para sua convocação final.

"A estrutura da equipe é bastante clara, não há muita dúvida. Temos muitas opções na frente. Muitas, muitíssimas. Um pouco menos no meio e um pouco menos nas duas laterais. Por isso, nessa convocação, por exemplo, chamamos dois meias que não conheço, que estão indo muito bem, como Danilo e Gabriel Sara, porque precisamos de jogadores com essas características no time", disse o técnico.

"E também zagueiros para estar perto dos que são fixos, Marquinhos e Gabriel [Magalhães], incluindo Militão, que precisa se recuperar bem", acrescentou.

A menos de cem dias para o início da Copa do Mundo ?86 a partir desta terça-feira (17)? a recuperação física de jogadores machucados e os cuidados com quem está jogando são as maiores preocupações do treinador.

Depois desta data Fifa, a comissão técnica da seleção brasileira vai se reunir para definir a pré-lista para a Copa do Mundo, com prazo até 11 de maio para envio aos clubes. Ao todo, até 55 jogadores podem ser incluídos nesta relação mais ampla.

No dia 25 de maio, o elenco inicia a preparação na Granja Comary, no Rio de Janeiro. Em 31 de maio, a seleção fará um amistoso contra o Panamá, no Maracanã, em sua despedida do país antes do embarque para os Estados Unidos, marcado para 1º de junho.

Já em solo americano, o Brasil fará seu último jogo antes da Copa do Mundo, contra o Egito, no dia 6. A estreia no Mundial será no dia 13, diante do Marrocos. Depois, encara o Haiti, no dia 19, e encerra a primeira fase contra a Escócia, no dia 24.