SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Apresentado como novo treinador do Santos, Cuca deu detalhes sobre o caso de abuso sexual no qual ele se envolveu na Suíça em 1987, como foi atrás de "resolver o caso" após a saída do Corinthians e ações feitas sobre violência contra a mulher.

O QUE ACONTECEU

Cuca afirmou que o caso de abuso sexual ficou 'apagado' por 30 anos e admitiu que nunca deu a importância necessária ao tema. "Eu sequer sabia que teve julgamento. Sequer um advogado teve. Isso aí já foi falado muitas vezes. Quando eu fui para o Corinthians, eu tive aquela enxurrada, tudo aquilo que aconteceu, eu reuni com a minha família, com a minha mulher, com as minhas filhas, e falei, vamos resolver", iniciou.

O técnico foi condenado por estupro coletivo de uma menor de idade na Suíça, em caso nos anos 1980, durante uma excursão do Grêmio. Então jogador do Tricolor Gaúcho, Cuca e outros três jogadores foram acusados de manter relações sexuais com uma garota de 13 anos.

A sentença foi anulada no início de 2025. A juíza aceitou a defesa de Cuca sobre a condenação à revelia, quando é feita sem advogado próprio ou defensor público, mas não entrou no mérito da inocência do treinador.

A suposta vítima, Sandra Pfäffli, morreu em 2002, de acordo com a justiça suíça. Ela tinha 13 anos na noite de 30 de julho de 1987 e faleceu aos 28. O tribunal encontrou um herdeiro, que não se interessou em ser parte do caso.

Cuca disse que hoje em dia entende o tema de uma maneira diferente e que faz 'muito pela causa'. "A pessoa quer saber da causa. E eu fui entender isso conversando com bastante gente, e muitas mulheres, elas querem saber o que o Cuca faz pela causa. E eu faço muita coisa pela causa, mas eu não sou de ficar falando, eu não tenho rede social, então eu não ponho em rede social nenhuma das coisas que eu faço. Eu me afastei do futebol um ano para poder resolver isso, eu gastei muito dinheiro para poder resolver isso".

"Hoje eu faço palestras, eu reuni Athletico, Coritiba, Paraná Clube, bases, categoria de bases, com um feminino junto, discutindo o tema. É tão bacana, discutindo o tema. Isso se chama educar", disse.

Cuca, inclusive, citou dados de abusos contra mulheres no mundo e afirmou que fala com amigos sobre como os homens podem ajudar a diminuir o feminicídio. "Eu ajudo entidades de mulheres carentes, mulheres que já sofreram algum tipo de abuso ou coisa assim. Eu faço muita coisa por isso".

O técnico também destacou ter a 'obrigação' de tentar ajudar na luta contra a violência contra a mulher. "Estou aqui na frente do microfone, então tem muita gente que me vê. E eu tenho obrigação de fazer isso, de tentar me incluir nesse processo e tentar ajudar para que isso diminua, porque acabar é difícil", disse.

Quem dera acabasse. Mas para que diminua. Porque eu também tenho mulheres na minha família, assim como vocês têm, e a gente não tem que esperar que aconteça alguma coisa com a gente para depois fazer. Então, o que eu estou hoje, eu falo até para muitos amigos meus, que, se a gente puder fazer alguma coisa para diminuir esse feminicídio, principalmente, a gente tem que fazer. Cuca, novo técnico do Santos

O novo treinador do Santos fará sua estreia no próximo domingo (22), contra o Cruzeiro, no Mineirão. Essa é a quarta passagem de Cuca pelo Peixe.