SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um território ligado à França e que fica no meio do Oceano Pacífico tem uma chance inédita de ir à Copa do Mundo. A Nova Caledônia joga a repescagem mundial pela primeira vez e encara a Jamaica, nesta sexta-feira (27), às 0h (de Brasília), no México.
CHANCE INÉDITA
A Nova Caledônia nunca sentiu o cheiro da Copa tão de perto. Desde quando se filiou à Fifa, em 2004, a seleção disputou algumas edições de Eliminatórias, mas nunca havia alcançado a repescagem.
O aumento no número de participantes deixou o sonho mais "viável". Agora com 48 participantes, a Copa dá uma vaga direta à Oceania, que ficou com a Nova Zelândia ? o "bicho-papão" do continente. Assim, o espaço destinado ao continente na repescagem ficou com a Nova Caledônia. No formato anterior, com 32 países, o continente só tinha direito à vaga na repescagem, que quase sempre foi neozelandesa.
O novo formato escolhido pela Fifa certamente nos oferece uma grande oportunidade de um dia chegar à Copa do Mundo. Como seleção nacional, estamos fazendo tudo o que podemos para sermos o mais ambiciosos possível. A Nova Zelândia domina a Oceania, mas a Nova Caledônia precisa se manter próxima para continuar melhorando. César Zeoula, capitão da Nova Caledônia, ao UOL
A Nova Caledônia teve a chance de se garantir direto na Copa deste ano. Em março de 2025, a seleção chegou à final das Eliminatórias da Oceania e encarou a Nova Zelândia. Até segurou o 0 a 0 no primeiro tempo, mas levou 3 a 0 no segundo e teve de se contentar com a ida à repescagem.
A perda da vaga direta não desanimou jogadores e torcedores. A nação, de quase 300 mil habitantes, mantém viva a esperança na vaga inédita.
É evidente que o desempenho da seleção nacional tem um impacto significativo no país, fortalecendo o vínculo entre os neocaledônios e o futebol. Na Nova Caledônia, o futebol continua sendo o esporte número um. Temos uma enorme torcida por lá, e poder oferecer uma partida da repescagem da Copa do Mundo ao público neocaledônio é realmente gratificante. César Zeoula
FUTEBOL LOCAL E LIGAÇÃO COM A FRANÇA
A possibilidade vem justamente no momento de maior evolução no futebol local. Antes, a seleção era composta basicamente por jogadores semi-amadores, que tinham outras funções além do futebol. nesta quarta-feira (25), a federação local tem trabalhado para profissionalizar ainda mais o esporte no arquipélago e busca recrutar jogadores nascidos em outros países, mas com ascendência neocaledônia, para fortalecer a seleção.
A maior estrela da seleção é um exemplo disso. Angelo Fulgini, convocado agora pela primeira vez, nasceu em Abidja, na Costa do Marfim, mas é filho de franceses e jogou nas seleções de base da França. Aos 29 anos, foi recrutado pela Nova Caledônia por ter ascendência no país e aceitou o convite.
A Nova Caledônia é um Estado francês. Colonizado pela nação europeia, o território oceânico conseguiu o reconhecimento como um Estado no ano passado, mas a autonomia é limitada, já que o judiciário, a defesa e a moeda seguem ligadas à França.
Quem nasce na Nova Caledônia, nesta quarta-feira (25), tem duas nacionalidades: neocaledônia e francesa. Isso reflete no futebol, com muitos atletas nascidos por lá atuando em times de divisões inferiores na França.
No futebol, a federação local se filiou à Fifa há 22 anos. O campeonato local, no entanto, existe desde 1950, segundo registros. O maior campeão é o Magenta, que tem 12 títulos conquistados e conta com alguns representantes na seleção.
O ponto mais alto a nível continental no cenário de clubes foi em 2019. Naquele ano, Hienghène e Magente decidiram a Champions da Oceania. Melhor para o primeiro, que venceu por 1 a 0 e se classificou para o Mundial de Clubes ? foi eliminado na primeira fase pelo Al-Sadd, do Qatar, após perder por 3 a 1.
A Nova Caledônia, no entanto, não tem um time 100% profissional. Recentemente, a Confederação de Futebol da Oceania criou sua primeira liga profissional e que conta com clubes do continente totalmente profissionais. Não há nenhum representante neocaledônio na primeira edição.
Entre os jogadores com ligação com o país, o mais conhecido é Christian Karembeu. Nascido na Nova Caledônia, ele jogou pela seleção da França e chegou a defender o Real Madrid.
CAMINHO PARA A COPA
Dois jogos separam a Nova Caledônia da Copa do Mundo. Se vencer a Jamaica, a seleção fará o duelo decisivo valendo a vaga inédita no Mundial na terça-feira, contra a RD Congo.
Se conseguir classificar, a Nova Caledônia já sabe em qual grupo vai cair. O Grupo K aguarda o representante vindo desta chave da repescagem mundial. Nele já estão Portugal, Uzbequistão e Colômbia.
A vaga colocaria a seleção como a "pior" classificada para esta Copa do Mundo. A Nova Caledônia é a atual 150° colocada no ranking da Fifa. Até agora, a Nova Zelândia ocupa o posto de "pior" país com vaga neste Mundial, visto que é a 85ª na lista da entidade.