SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Carlo Ancelotti pretendia utilizar os amistosos do Brasil contra França e Croácia, na última janela de duelos internacionais antes da convocação para a Copa do Mundo, para dar entrosamento ao time que considera titular. Afinal, eram apenas a nona e a décima partidas da formação verde-amarela sob seu comando.
Múltiplos desfalques inviabilizaram o plano, e o jeito foi dar chance a atletas que vinham atuando pouco -ou que nunca haviam atuado- pela seleção. Nesse sentido, o resultado foi positivo, já que vários daqueles considerados reservas tiveram bons desempenhos.
"O que me deixa satisfeito é que os novos que estiveram aqui aproveitaram a oportunidade. Aumenta a dúvida para a lista definitiva", disse o italiano, que anunciará os nomes dos 26 convocados para a Copa em 18 de maio.
Um dos "novos" que chamaram a atenção foi o meio-campista Danilo, que entrou bem na parte final da derrota por 2 a 1 para a França e teve performance ainda melhor no triunfo por 3 a 1 sobre a Croácia. Trabalhou de área a área, marcou o primeiro gol, deu passo enorme para ser chamado ao Mundial e pode até ter colocado em xeque o posto de titular de Bruno Guimarães -fora dos compromissos recentes por lesão.
O atacante Luiz Henrique não chega a ser novidade no grupo, mas também praticamente carimbou seu passaporte com duas boas partidas. Contra a Croácia, os atacantes Endrick e Igor Thiago foram decisivos para a vitória -o que tornou ainda menor a possibilidade de Neymar ir à Copa.
Nesses dois jogos, foram nove os jogadores que atuaram pela primeira vez na seleção sob direção de Ancelotti: os defensores Bremer (Juventus), Ibañez (Al Ahli), Léo Pereira (Flamengo) e Kaiki (Cruzeiro), os meio-campistas Danilo (Botafogo) e Gabriel Sara (Galatasaray) e os atacantes Endrick (Lyon), Rayan (Bournemouth) e Igor Thiago (Brentford).
O italiano gostou do que viu, porém lamentou não ter tido a chance de dar rodagem à equipe titular. Alisson, Éder Militão, Gabriel Magalhães, Alex Sandro, Bruno Guimarães e Estêvão, lesionados, nem foram aos Estados Unidos. Marquinhos foi baixa contra a França, e Raphinha foi cortado antes do confronto com a Croácia.
Se a formação principal carece de entrosamento, um time tão modificado exibiu ainda maiores dificuldades de entendimento. Isso ficou claro sobretudo diante da França, que esteve nas finais das duas últimas Copas e mantém o treinador que a levou até elas, Didier Deschamps.
Dirigido pelo mesmo homem há 14 anos, o conjunto francês se mostrou muito mais coeso, até mesmo após a expulsão do zagueiro Upamecano. Não parecia que a seleção europeia tinha um atleta a menos, e foi nessa condição que ela tocou a bola até chegar a seu segundo gol.
"O objetivo desses jogos era testar a equipe titular. Mas a equipe titular não estava, porque tivemos muita lesão. Então, aproveitamos para testar jogadores", declarou Ancelotti, em linhas gerais satisfeito. "Estamos no processo correto, no caminho correto."
Ele agora vai observar a distância os candidatos a jogar a Copa para fechar a lista. A preparação propriamente dita terá início na Granja Comary, em Teresópolis, em 25 de maio. O time se despedirá da torcida em um amistoso contra o Panamá, no dia 31, no Maracanã, no Rio de Janeiro, e partirá em 1º de junho para os Estados Unidos.
Haverá ainda mais um amistoso, já em território norte-americano, antes da estreia no Mundial. No dia 6, a equipe brasileira vai enfrentar o Egito no Huntinton Bank Field, em Cleveland.
Então, chegará a hora da verdade. Cabeça de chave do Grupo C da Copa, o Brasil enfrentará Marrocos (13 de junho, em East Rutherford, nos arredores de Nova Jersey, Haiti (19 de junho, na Filadélfia) e Escócia (24 de junho, em Miami Gardens, nas cercanias de Miami).
