RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A SAF Botafogo peticionou ao Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas pedindo que a decisão desta quinta-feira (23) que afastou John Textor do seu comando seja reconsiderada. A petição, assinada por 15 advogados, aponta supostas irregularidades que teriam sido cometidas pela Eagle durante o processo.

Um dos argumentos é o de que o tribunal teria concedido o afastamento de Textor sem que ele tenha sido diretamente pedido pela Eagle. A empresa, em litígio com o americano, teria pedido apenas a anulação da liminar judicial que o mantinha no controle da SAF, e não seu afastamento imediato.

Segundo os advogados da SAF, esse afastamento precisaria ser deliberado em assembleia geral com participação do clube associativo.

A SAF também alega que a Eagle omitiu informações sobre uma operação planejada por Textor em janeiro deste ano: na ocasião, o americano firmou um contrato para transferir ações da SAF Botafogo a outra empresa de sua propriedade, nas Ilhas Cayman, sem autorização da Eagle.

A SAF Botafogo alega, em defesa de Textor, que a operação jamais aconteceria sem autorização da Ares, grupo que controla a Eagle, e que havia um e-mail que mostrava isso e foi omitido do processo. Essa operação foi um dos dois principais argumentos do tribunal para o afastamento.

O segundo argumento foi o de que a SAF teria iniciado processo de recuperação judicial contra a recomendação expressa contrária da Eagle, que detém 90% das suas ações. Sobre isso, a SAF Botafogo diz que adotou apenas "medidas preparatórias à recuperação judicial".

A SAF Botafogo aponta ainda que a Ares estaria por trás de toda a disputa com o objetivo de assumir o Lyon em definitivo sem pagar valores que, segundo Textor, o clube francês deve ao Botafogo.

O afastamento de Textor é em caráter provisório, e será reavaliado a partir da semana que vem. Por enquanto, a SAF Botafogo é administrada pelo ex-presidente Durcésio Mello.